Por Fernanda Friedrich
02/09/10
Às vezes eu tento mentir para mim. Mas não consigo. Falem o que quiser, é inevitável evitar a verdade uma vez que ela tenha se instalado por décimos de segundo na sua cabeça. Talvez você finja que não sabe, mas a partir do momento que você sabe que uma pontinha é ou foi real, a busca pelo iceberg é infinita. Por que é tão difÃcil aceitar que o gelinho flutuante visto de longe é apenas o começo?Vem a euforia, a sede de saber de tudo, de ter controle do mundo e das informações contidas nele. Na loucura absoluta você tenta de tudo para enxergar mais. No desespero ninguém está seguro, você age sem pensar e acima de tudo mais rápido do que seu pensamento. Porque se parar e pensar, tentará se enganar e deixar aquilo de lado… Por isso agimos rápido, sem pensar, sem parar.
Será que é necessário tocar o barco a 1000 nós para chegar até a tal montanha submersa? Ou será que mandamos ver na velocidade na esperança de estraçalhar todo aquele gelo e sumir com aquilo tudo? No eterno medo do sertão virar mar e o mar virar sertão, e o iceberg virar um grande Everest…
E sabe o que é pior? Fazemos tudo isso com a esperança de não ser nada. Se foi, nos confortamos com um "já sabia". Se não, nos conformamos com um "que idiota que eu fui".
Talvez, se acreditássemos mais que o iceberg existe do que na hipótese de ele ser apenas um gelo flutuante, nós nunca tentarÃamos mentir para nós mesmos.
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