No sagrado ato da devoção oral, é possível sim superar o velho amansa-moça
Por Daniela Cucolicchio
Ah, Xico Sá, tenho que te contar que existe pelo menos um homem no mundo que, durante o "sagrado ato de devoção oral" consegue "usar a língua como jatinhos de água que morrem mansamente sobre o clitóris!". Magicamente, conseguia fazer a moça sentir aquilo que só o desgraçado do chuveirinho faz. Ficava ali, incansável, fazendo cosquinhas (como dizia ele) n’alma, fechando os zolhinhos da menina, obrigando-a a apertar o travesseiro algumas vezes.
Era único. Nenhuma das outras línguas que por ali passou – por mais ágeis e gostosas que fossem algumas – sabia tão bem como ser chuveirinho. Nem mesmo as femininas. Tem gente que diz que as mulheres chupam melhor por ter uma igual. Bullshit. Tudo bem que o número de línguas fêmeas que me (sim, a moça sou eu) chuparam é umas dez vezes menor do que aquelas que tem algo latejante a oferecer, mas ser homem ou mulher não parece ser bom parâmetro pra isso.
Aliás, parâmetro e sexo são duas palavras que deveriam ser mantidas bem distantes. Algumas pessoas insistem em enfiar padrões sexuais onde mal existem similaridades. Primeiro, cada indivíduo é único, e depois cada dois indivíduos são únicos (três, quatro, etc). Em terceiro, somos únicos em cada espaço e tempo. Corpos que não se encaixaram, encaixam-se com outros, trepadas entres os mesmos dois podem ser ruins num dia e animais num outro...
Sipá (o novo quiçá) só eu achei que ele chupa como chuveirinho, sipá eu e mais algumas, sipá todas. Como saber? Pra que saber? A pergunta do momento é como instalar um chuveirinho no meu novo banheiro – que só tem uma ducha agressiva do caralho – já que não posso mais trepar com o chuveirinho que fala?
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Daniela é jornalista formada pela UFSC e mantém um blog. Clique aqui para conferi-lo.
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