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VÃO JOGAR BOLA!

VÃO JOGAR BOLA!


Nem as pancadas doem e o fim do jogo chega trazendo a vontade do próximo




Texto e foto por Daniela Cucolicchio

Tenho que compartilhar uma euforia. Tardia que seja, euforia futebolística. Por mais estranho que soe para quem me conhece, é isso mesmo. Nunca odiei futebol, nem o maldisse inflamadamente como fazem os que não gostam. Simplesmente nunca havia me interessado. Ou melhor, já tenatara me deixar cativar pela coisa e entender o fervor provocado pela bola rolando no gramado. Em vão. 


No máximo compartilhara momentos com amigos em época de Copa do Mundo. Mas os jogos funcionavam como som ambiente para o meu cérebro que divagava na frente da TV, em meio às vibrações de entusiasmo ou decepção da torcida ao redor. Mal sabia comemorar um gol. Nada em mim pulsava nessa hora, e o que fazia era observar as pessoas comemorando, tentar sentir o que sentiam. Na úlitma Copa, cansada do tédio que me causava o esforço para estar em sintonia com os demais, consegui ignorar majestosamente que o mundo se voltava para um campeonato (com exceção de um dia que tive de andar por quase uma hora até encontrar um restaurante aberto durante um jogo do Brasil).

Quando pequena, era são-paulina da boca pra fora. Achava bonito torcer pelo mesmo time do meu pai, que morava longe. (Para se ter uma ideia da farsa, acabo de checar a grafia de “são-paulina”.) Mais recentemente, aproveitando que um affair de então gostava de assistir a jogos, tentei novamente. Em todos, quando dava por mim, meu cérebro já estava longe do que acontecia na tela. O jeito era me divertir com a cerveja e o amendoim. 

Até que, num dia qualquer de trabalho, as meninas avisaram que estavam retomando as peladas das quartas-feiras, após a pausa de fim de ano, e me chamaram para uma partida. Querendo me exercitar, avisei que só sabia correr atrás da bola (e olha lá) e aceitei ressabiada. Aí começa a euforia futebolística. A coisa pulsa, comemorar um gol ou lamentar o do adversário, roubar uma bola ou a perder faz sentido, faz sentir. Rir dos desastres de percurso faz aquela horinha passar como se fossem dez minutos. Nem as pancadas doem. E o fim do jogo chega trazendo a vontade do próximo – e daquela cervejinha com o pessoal, claro. 

Três jogos depois, a coisa borbulha. Dá vontade de saber, de conhecer as regras (no primeiro jogo, as meninas tinham que ficar me chamando de volta para o meu campo a cada gol, ô, tristeza). Dá vontade de ler las crônicas de Nelson Rodrigues. Dá vontade de contar, para todo mundo, a minha descoberta. E dizer para as meninas chatas que implicam com as peladas do namorado (ops, ficou ambíguo): vão jogar bola!

Comentários  

 
0 #2 Maithi 10-10-2011 23:04
Bom, eu não precisei jogar para ser uma amante do futebol, sempre gostei muito, muito, muito e assisto a quiase todos os jogos da tv durante a semana e vou na Ressacada ver o meu Avaí! Fica a dica: uma vez que sei nteressar vai amar!
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+1 #1 @sa_bruno 05-04-2011 17:20
Vero. Um salve pro futebol santo de toda semana....
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