Os hormônios, esses bipolares, cumprem o duplo papel de algoz e guru

Por Maíla Diamante
30/08/11
Ela já comeu meio pote de Nutella e deixou escorrer em lágrimas sua vergonha de mulher menos ousada que as piromaníacas de sutiãs dos anos 60. Deu carta branca para a própria fraqueza assistindo comédia romântica e não teve coragem de assumir que aquela solução rosa-pastel era tudo o que precisava ao fim de sua novela mexicana. Depois desceu engatinhando de seu altar balzaquiano e lembrou com saudade dos conselhos de mãe e das broncas ineficientes do pai, quando tinha doze anos.
Pois que fechem as cortinas dessa peça e aplaudam seu diretor! Maestros discretos por trás da condição feminina, os hormônios são os responsáveis pela sequência melodramática, e também um dos temperos mais característicos da mulher, à prova de descomplicações. Enquanto elas padecem, eles se perdem em tentar entender.
Se a intenção é chegar a uma atuação hamletiana da fisiologia feminina, uma dose de irresponsabilidade é o primeiro passo. Depois do sexo desprotegido e da pílula do dia seguinte, a atuação beira a um Tony, o Oscar dos tablados. O troféu, nesse caso, sempre cabe à mulher, já que a dor de cabeça masculina vai embora depois de paga a conta da curetagem ou com o comprovante do depósito da pensão.
A vida é muito menos visceral quando se carrega um pênis consigo. O futebol, a cervejinha e a trepada não oscilam no mercado de capitais do estrogênio. Eles dormem tranquilos depois de assistirem a ela tomar Postinor, enquanto elas se remoem de ânsia de vômito e dores nos peitos e são tomadas pelo dramalhão da explosão hormonal à la Hiroshima. Ninguém nega que a culpa é do casal, mas quando se fala em corpo, as consequências do mau uso sempre pesam mais no lombo feminino.
Mas justiça seja feita aos senhores dos exageros emocionais! Quem diz o que precisamos mas não queremos ouvir nunca é chamado de melhor amigo, embora seja o mais íntimo. Os hormônios femininos, esses bipolares, também cumprem o duplo papel de algoz e guru. Se nos chamam a atenção para a sujeira que escondemos embaixo do tapete, talvez seja um aviso de que está na hora de dar cabo nela. O abuso nos brilhos e contrastes fica por nossa conta, mas as contradições da vida feminina tagarelam ao mundo para serem ouvidas; por que não darmos atenção a elas?
A TPM - induzida por uma bomba hormonal, que seja! - está aí para voltarmos os holofotes para os papeis subalternos da mulher, aqueles que insistimos em chamar de figurantes. Já se foi o tempo em que as boas estórias eram estreladas apenas pelas femmes fatales.
Pois que fechem as cortinas dessa peça e aplaudam seu diretor! Maestros discretos por trás da condição feminina, os hormônios são os responsáveis pela sequência melodramática, e também um dos temperos mais característicos da mulher, à prova de descomplicações. Enquanto elas padecem, eles se perdem em tentar entender.
Se a intenção é chegar a uma atuação hamletiana da fisiologia feminina, uma dose de irresponsabilidade é o primeiro passo. Depois do sexo desprotegido e da pílula do dia seguinte, a atuação beira a um Tony, o Oscar dos tablados. O troféu, nesse caso, sempre cabe à mulher, já que a dor de cabeça masculina vai embora depois de paga a conta da curetagem ou com o comprovante do depósito da pensão.
A vida é muito menos visceral quando se carrega um pênis consigo. O futebol, a cervejinha e a trepada não oscilam no mercado de capitais do estrogênio. Eles dormem tranquilos depois de assistirem a ela tomar Postinor, enquanto elas se remoem de ânsia de vômito e dores nos peitos e são tomadas pelo dramalhão da explosão hormonal à la Hiroshima. Ninguém nega que a culpa é do casal, mas quando se fala em corpo, as consequências do mau uso sempre pesam mais no lombo feminino.
Mas justiça seja feita aos senhores dos exageros emocionais! Quem diz o que precisamos mas não queremos ouvir nunca é chamado de melhor amigo, embora seja o mais íntimo. Os hormônios femininos, esses bipolares, também cumprem o duplo papel de algoz e guru. Se nos chamam a atenção para a sujeira que escondemos embaixo do tapete, talvez seja um aviso de que está na hora de dar cabo nela. O abuso nos brilhos e contrastes fica por nossa conta, mas as contradições da vida feminina tagarelam ao mundo para serem ouvidas; por que não darmos atenção a elas?
A TPM - induzida por uma bomba hormonal, que seja! - está aí para voltarmos os holofotes para os papeis subalternos da mulher, aqueles que insistimos em chamar de figurantes. Já se foi o tempo em que as boas estórias eram estreladas apenas pelas femmes fatales.
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