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O SOM MACHO-JURUBEBA

O SOM MACHO-JURUBEBA

Som do Moptop manda sinceridade direto nos tímpanos

Por Thiago Momm


Um blog de música não pode se chamar Na orelha sem falar das letras do grupo carioca Moptop.

O Moptop não é lá um Los Hermanos em termos de poética. O Los Hermanos compôs coisas lindas como “Sei que o vento que entortou a flor / passou também por nosso lar / e foi você quem desviou / com golpes de pincel / eu sei, é o amor que ninguém mais vê” (Além do que se vê). Mas também por isso foi chamado por um colunista da Rolling Stone, Miguel Sokol, de “triunfo da falta de testosterona”.

Já o Moptop manda direto nos tímpanos. Se as letras do Los Hermanos refletem um tipo de homem mais atencioso, sutil, melancólico, as do Moptop refletem um macho mais clássico, mais jurubeba (se o escritor Xico Sá nos empresta um pouco o adjetivo). Enfim, o Los Hermanos canta a vida mais como ela deveria ser, e o Moptop, mais como ela é.

“Eu sei que é foda / mas vou-me embora / eu vou viver só / não tenho idade / pra ter vontade / de me acomodar / vê se entende / daqui pra frente / eu vou viver só / com vinte cinco / não quero filhos / só histórias pra contar”, entoa o Moptop em Histórias pra contar.

O grupo não está muito aí para as sutilezas – o que torna parte das letras bastante simplórias, na verdade, mas também rende muitos achados. O espírito da banda talvez possa ser traduzido por trechos da música Paris: “Eu teimo em ser guri / você já quer grudar (...) / você comanda aqui / só sei desacatar / quero gozar no fim / você quer se enfeitar / ainda te quero bem / só não te quero mais”.

Na mesma linha de namorado-que-não-tira-a-camiseta-bolorenta-do-Vasco-nem-deixa-de-ajeitar-o-saco-quando-visita-a-gata, na música Sempre igual eles disparam: “E todo dia ela me pede pra escolher / entre ela e o jogo na TV / tudo é sempre igual / ela é sempre igual”.

No mesmo nível de malignidade, em Melhor nem vir o grupo manda: "Eu fiz de tudo pra te corromper / não achei fosse resistir / prefere achar que é normal / não ser feliz / se for pra se guardar melhor então nem vir / se for pra se fechar melhor então nem ir".

Nem os momentos-cotovelo deixam de refletir a postura do macho-jurubeba. Em Beijo de filme, a voz carioca malandra de Gabriel Marques solta: “Mesmo que não acredite / em amor de verdade em beijo de filme / tem que haver / alguém nesse mundo / que não te despreze / que não te repulse”.

E por aí vai. Vida longa ao Moptop. Escute abaixo a música História pra contar.

http://www.youtube.com/watch?v=6Pl4SVT8ebQ

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