Na fila do RU, versos tentam cativar os frequentadores
Por Rosielle Machado
No mural do Restaurante Universitário da UFSC, entre um anúncio de fretes e um cartaz de festa, se vê um discreto papel escrito “Poesia na Fila”. Ninguém sabe quando as poesias apareceram. Na verdade, quase ninguém as notou no meio das propagandas.
“Achei os poemas muito tristes, introspecção não combina com RU”, comenta a estudante de arquitetura Jéssica Cardoso dos Santos, uma das poucas pessoas que leram os versos. A amiga de Jéssica achou confuso, mas apoia a iniciativa: “Cultura é importante, né?”.
Outra menina achou os poemas bonitos, mas muito intimistas: “Só deve fazer sentido pra quem escreveu”. As mulheres são as que mais prestam atenção, e ninguém disse ter perdido o apetite ou algo assim.
Aluno da computação, Abimael Fidêncio não é muito chegado em poesias, mas na falta de coisa melhor pra fazer, lê e acha tudo ótimo – não só as da fila do RU, mas também as de ônibus e bancos de praça. A aluna da medicina Heloise Silvestre concorda. “É melhor do que ver um monte de propaganda de festa”.
Batata palha
A principal crítica não é aos inspiradíssimos versos como “O que seria de mim sem as nuvens cinzentas a tatear as manhãs de paz? Com café quentinho, pensando nisso ou naquilo”, mas ao tamanho dos poemas e ao método de divulgação. “Acho que tinham que ser menores e num papel mais chamativo. O cartaz dos livros por R$ 9,90 chama bem mais a atenção”, sugere Daniela Machado.
A Naipe não conseguiu contato com Calini Detoni, autora dos versos.
Umberto Riella, estudante do mestrado, leu apenas um parágrafo, mas resume o sentimento da maioria: “O estrogonofe com batata palha do RU já é inspirador o suficiente”.
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