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PEIXES E RODOVIAS

PEIXES E RODOVIAS


Ideia ilhoa que mistura trânsito e comportamento dos peixes representa Brasil em evento nos EUA



Por Rosielle Machado
27/01/2010

No Salão de Detroit deste ano havia uma única bandeira brasileira. E a proeza de fazer parte de uma das maiores exposições automobilísticas do mundo foi, senhoras e senhores, manezinha.

A equipe da 2:1 Design Industrial, composta por cinco ex-alunos de faculdades de design de Florianópolis, criou um dos projetos selecionados no Michelin Challenge Design. O concurso elegeu ideias capazes de fazer o trânsito (esse desgraçado) segurar as pontas daqui a vinte anos. Entre mais de 900 concorrentes, apenas 34 foram selecionados para viajar à terra do hambúrguer – e lá estava o ilhéu, muito ilhéu “Ou – Choose your way”.

O “Ou” é uma proposta de sistema de transporte que utiliza trilhos e rodas adaptáveis. Foi criado a partir de uma verdade universal (que os governantes de Florianópolis ainda não conhecem): a de que não é possível expandir o número de rodovias urbanas no mesmo ritmo desvairado com que aumenta a quantidade de carros.

Com a instalação de trilhos nas estradas que já existem, os veículos se deslocariam em velocidades constantes e uniformes. Seria, na confortável teoria, o tão sonhado fim dos congestionamentos.

A ideia parece saída de um livro de Isaac Asimov: o motorista andaria nas ruas normalmente, utilizando as quatro rodas de sempre. Quando chegasse nas áreas com trilhos, usaria as rodas especiais. O projeto sugere também um veículo individual, leve e movido a energia elétrica, que se abasteceria da energia gerada pelo contato das rodas com os trilhos - ou em postos de energia espalhados pela cidade. Além disso, o “Ou” também teria rodas que, através de nanotecnologia, se adaptariam a pistas secas ou molhadas.

Inspirados em recife de corais, os carros poderiam agir como cardumes. Assim como nos grandes centros urbanos, a maioria dos peixes vive perto dos corais. Através de um sistema de sincronização e GPS, os veículos que fossem para os mesmos locais seriam como peixes, andando em velocidades constantes para evitar filas.

A coisa é tão futurística que os inventores da criança, Alexandre Turozi, Elisa Strobel, José Serafim Jr., Rodrigo Krieger e Théo Orosco, acreditam que seja viável apenas em duas décadas. “Alguns pontos do projeto até são possíveis para hoje, mas coisas de infraestrutura, cultura e investimento não tanto”, diz Théo Orosco, formado pelo IFSC há dois anos e responsável pela administração e marketing da 2:1.

“A proposta de carros individuais, por exemplo, não seria muito viável culturalmente hoje no Brasil. Há uma tendência de os carros diminuírem de tamanho, mas no Brasil e EUA as pessoas ainda não gostam muito da ideia”, acrescenta. 

Na Udesc e no IFSC, onde se formaram os autores, houve furor com a conquista dos ex-alunos prodígios. “Acho que as universidades daqui têm bastante a evoluir, mas entre os outros cursos de design do país acho que elas estão num bom caminho. E o mais importante, tem pessoas criativas”, avalia Orosco.

Conheça mais sobre o projeto aqui

Comentários  

 
0 #1 Cleonice 27-01-2011 19:50
Muito Legal a matéria!! parabens a 2:1 por elevar o nome do Brasil e de Florianópolis, ainda mais no que diz respeito a inovação, no mundo.

Seria interessante se nas emissoras locais, ao invés de só passar coisas ruins de nosso estado, botassem vitórias e propostas como esta ai!
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