Entre armaduras, escudos, flechas e cismas medievais, grupo treina lutas quatro vezes por semana na UFSC

Por Iana Lua
12/09/11
"Um museu", acredita quem passa pelos vidros com armaduras, escudos, espadas, arcos, flechas. Só que tudo isso é retirado dali e vai à luta quatro vezes por semana.
Embaixo do brasão pendurado na porta se lê: academia medieval SCAM. O fundador e mestre do grupo, Anderson Nodachi, dispara uma quantidade incrível de informações por segundo – resultado do tanto que já explicou o que ele e os seus fazem por ali.
Anderson, um engenheiro eletricista pela UFSC apaixonado por artes marciais, em 2002 formou um grupo de pesquisa que logo enveredou para a Idade Média. Mas para entender melhor as batalhas, só teoria não adiantava.
Hightech
Hoje mais de 30 pessoas participam do grupo. O público-alvo são os jogadores de RPG e os amantes de mangá – mas na verdade tem de tudo: estudantes de Engenharia, História, Letras Alemão, Design, Ciências Contábeis. Alguns têm cara de nerd – pálidos de óculos – mas outros bem que poderiam ser verdadeiros guerreiros medievais – fortes e barbados.
São quatro aulas por semana. Em três se treinam técnicas de luta com armas de borracha; na outra, simula-se uma batalha com armaduras e armas de verdade (acolchoadas nas pontas), utilizando estratégias de guerra.
O equipamento é todo feito pelo grupo. O trabalho envolve conhecimentos de engenharia e design – "o negócio aqui é hightech". Por exemplo: as cordas usadas nos seus arcos duram anos, bem diferentes das medievais, que arrebentavam depois de apenas 20 flechadas.
Mas a pesquisa histórica não pode ser deixada de lado. Depois de dois anos tentando desenvolver um arco, Anderson cogitou comprar uma cola utilizada na aeronáutica quando se deu conta de que na Idade Média essa cola não existia. Foi pesquisar e descobriu que a solução medieval era muito mais básica: barbantes.
Ogro
Depois de toda uma liturgia (que enaltece a coragem etc. e critica os que "fazem promessas levianas"), Anderson pergunta “vamos?” – já me estendendo um arco e três flechas.
– Eu?
Como chovia o treino, normalmente do lado de fora, foi no segundo andar do Centro de Convivência da UFSC – onde costumava ser o RU noturno e agora é uma grande sala abandonada e pichada.
Alguns estudantes que vieram para um encontro de Arquitetura estavam por ali matando tempo, mexendo no computador, falando alto. Os alunos medievais se posicionam em uma roda vestindo túnicas azuis com o brasão do grupo. Me junto a eles. Depois de uma série de alongamentos e polichinelos (que por um momento dá à aula um ar não medieval, mas anos 80) uma das meninas do grupo me chama para ensinar as técnicas do arco e flecha.
Pernas esticadas, postura reta, cotovelos na altura do ombro, mãos firmes, dedos soltos. Agora presta atenção no ângulo da flecha, mira bem, puxa a corda em direção à boca e solta rápido!
Depois de muita teoria, a menina me leva até o alvo: um quadrado grande de isopor com a figura de um ogro. Agora eu estava cara-a-cara com meu oponente. Tentei uma, duas, três, dez vezes... Mas era difícil pensar em tudo e me concentrar com o barulho dos outsiders de laptop no colo. Malditos bárbaros.
O melhor arqueiro, me explica Anderson, não é o que mais acerta o alvo, mas o que não diminui o número de acertos mesmo sob pressão. Por isso, o doping do arco e flecha, diferente da maioria dos esportes, são substâncias que baixam o batimento cardíaco.
Com essa sabedoria em mente, tentei mais umas 20 vezes. Acertei uma ou duas flechas, mas meu braço não me permitia tentar mais. Me rendi.
Lá fora, um hippie tocava flauta. Na sala, os homens lutavam com suas espadas. Sentadas no chão, eu e a menina fazíamos flechas enquanto conversávamos sobre a vida. Sim, soa sentimental, mas por alguns minutos você se sente em uma tarde chuvosa de 1134. E entende porque os jogadores de RPG são o público-alvo.
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A Naipe voltou em um dia sem chuva para fazer algumas fotos. Confira.
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Comentários
Não extinto o mais bom e velho modo de se chapar, (recordei-me do cavalo de troia), o tinto.
Na europa ja estão resgatando as artes marciais ocidentais, em todos os sentidos desde a tecnica de luta, fabricação de armas, e filosofia das artes marciais ocidentais da idade antiga , media, e renascença.
Isso é fruto de pesquisa em livros da idade media onde mostra muitas tecnicas em especial das escolas Francesa, espanhola e Italiana de armas - onde os mestres d'armas buscam nesses livros o resgate da cavalaria medieval .
As universidades deixam de fazer a pesquisa historica nesse assunto, mas ha muitos anos ja esta fazendo esta pesquisa por poucas pessoas que com muita dedicação buscam regatar o sentido da espada.
Vejam o documentario Reclaming the Blade.
Seria algo parecido ao eterno, [Caverna do Dragão].
Não se esqueçam que no final, em realidade estão todos mortos em um mundo novo, mas com seus medos superados, e prontos para viver eternamente naquela dimensão.
Treinamos todas as terças, sextas e sabados, nos encontrando nas escadas internas do antigo centro de convivencia as 16h. Podes escolher começar pelo caminho do arco ou pelo caminho da espada. escolhendo o seu caminho começaremos a te ensinar as técnicas basicas logo no primeiro dia. Convidamos a vir e fazer uma aula experimental antes de conversar sobre a mensalidade que os praticantes pagam para manutençao do equipamento.
Se estiver interessada te esperamos para um treino!
Para mais informações do grupo acessem:
www.lutarmedievais.blogspot.com
ou
www.academiascam.org
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