Aulas munem estudantes contra a maldição da matemática

Por Rosielle Machado
14/07/10
O Brasil já tinha sido eliminado da Copa, mas Emiliano Monteverde se ajoelhou no chão enquanto bradava gritos de vitória. Tapinhas nas costas dos colegas e cervejinha para finalizar as comemorações. Aprovado na última disciplina de cálculo da Engenharia Elétrica da UFSC, ele se sentia na obrigação de celebrar.
Para infelizes alunos de outros 17 cursos, é só o começo do trauma. São mais de 65 disciplinas de cálculo na universidade. Segundo o site de troca de informações entre alunos professorboiada.com, a reprovação chega a até 89% por sala, dependendo do professor.
A UFSC considera os índices “preocupantes” e por isso decidiu oferecer aulas de reforço para o povo. Os cursos de inverno vão durar uma semana, de 2 a 6 de agosto. Com material didático gratuito, vão tratar de Física, Cálculo e Matemática Básica.
Para Emiliano, nos negros tempos de repetência (ele fez cálculo I três vezes até passar), a maior dificuldade era a deficiência matemática que carregava do ensino médio. Somem-se a isso agravantes como festas, morar sozinho e a velha história do aluno-que-sempre-tirou-dez-sem-estudar-mas-na-universidade-se-ferrou. O resultado parecia nunca atingir o inalcançável 5,75 mínimo para a aprovação.
Mas uma hora vai. E aí fica fácil pegar o jeito e saber se o professor é do time dos sádicos carrascos algozes da juventude ou se é mais sossegado. Adquire-se a malandragem do intercâmbio de provas de semestres anteriores, forma-se uma rede de troca de impressões sobre a disciplina etc. “Mas o mais importante é entender que vai ter um monte de coisas na mesma semana e por isso é bom adiantar o estudo”, ensina Emiliano, que atribui todas as reprovações à falta de dedicação. Claro que sempre dá pra colar, chorar nota, pedir trabalhinho extra, mas no fim das contas o que faz diferença mesmo é enfiar a matéria dentro da cabeça. E uma vez aprendida, pronto. Se a frase mais ouvida entre calouros é “Eu nunca estudava no terceirão e sempre me dava bem”, dos veteranos se escuta “Nossa, como é que eu tinha dificuldade nisso quando fiz Cálculo I?”.
Emiliano faz parte dos que encontraram a luz e hoje diz com sabedoria e experiência: “Acho que nenhum dos fatores apontados como complicadores nessas matérias justificam as reprovações. Se houver a aplicação necessária o cara passa”.
Quem não quiser contar apenas com as dicas preciosas e o testemunho de vida de Emiliano pode se inscrever nos cursos de reforço até o dia 23/07. Cada turma terá 26 vagas para os heróis que decidirem sacrificar a última semana de férias em nome daquele lampejo de responsabilidade e peso na consciência que volta e meia baixa em todo universitário. Mais informações aqui.
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