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PORTUGUÊS E MANEZÊS

PORTUGUÊS E MANEZÊS

Intercambistas americanas elogiam homens e comidas nacionais, mas chamam nossa cerveja de água


Da equipe Naipe

Depois de rodar vinte minutos atrás de estacionamento, fazer uma rápida passagem pelo Ponto Frio, trocar palavras com o corno do centro e se perder duas vezes entre a torre A e B da Unisul, a Naipe encontrou o ponto de conforto da quinta-feira: a sala dos pufes.

Esse parece ser o nome oficial da sala de descanso dos intercambistas que vêm estudar português na Unisul de Florianópolis durante cinco semanas. Enquanto o resto dos universitários da cidade está de férias, 22 alunos dos Estados Unidos, Alemanha, Venezuela e Equador têm aulas sobre língua portuguesa, cultura e história do Brasil.

A sala com pufes coloridos é o local onde eles se reúnem no intervalo das aulas. Quando a Naipe chegou, havia apenas quatro meninas remanescentes de uma ida coletiva ao Mercado Público. 

Três são de Ohio e uma de Boston. Elas estão aqui para aprender português. Duas delas fazem mestrado em estudos latino-americanos. De olho na formação profissional já fizeram outros intercâmbios antes, falam espanhol e, além de aprender a língua, vieram pegar um pouco da cultura do país. No papo com a Naipe, preferiram conversar em inglês. O português ainda não é suficiente para dar opiniões mais específicas. A pretensão da reportagem de apertar o SAP e levar o papo todo em espanhol também não colou - uma das meninas riu do sotaque portenho da Naipe.

Nunca tinham ouvido falar de Florianópolis antes de vir para cá. Estão aqui porque a Unisul é a única universidade brasileira conveniada com a ISA, empresa americana de intercâmbio. Não conheciam o Brasil, mas acharam a ilha diferente daquilo que haviam escutado sobre o país através de amigos mineiros. Começando pelo sotaque.

Na casa da família com quem Christina e Anna moram, na Lagoa da Conceição, fala-se manezês. “É muito rápido, difícil de entender, mas eles são pacientes, repetem tudo sempre que necessário”, diz Christina, que compara Florianópolis a lugares europeus já visitados. Ela elogia a família, diz que são atenciosos e que estão empenhados na missão de fazê-las comer, comer de tudo, comer muito. “Estou tentando entender como fazer farofa antes de voltar aos Estados Unidos.”

Animadas com o que estudaram nos EUA e estudam aqui ("Dá para trabalhar com muitas coisas depois"), também gostam muito de morar na Lagoa. Só não se empolgam tanto com os ônibus que têm que pegar para chegar ao centro. Acostumada a andar de carro nos Estados Unidos, Anna conta sua rotina aqui: “Acordamos 6h30 para pegar ônibus na Lagoa às 7h30. Pegamos trânsito, às vezes temos aula o dia inteiro e final da tarde já temos que voltar para o ônibus de novo”. Ninguém da Naipe conta a Anna que essa é a rotina de boa parte dos universitários da ilha.

Surpreendemente, elas acham nosso transporte coletivo bom. Também acham bom o cachorro quente, o churros, a batata-palha, a praia da Joaquina, o sandboard, os bares, a noite de Jurerê e os homens da cidade. A night que mais curtiram foi a Pacha, e quem mais gosta dos brasileiros é Laura.

Desde que tem 18 anos (hoje tem 22) ela só sai com caras que nasceram no Brasil. Pode ser bonito, pode ser charmoso, mas se não for brasileiro não tem graça. “Pegada?”, a Naipe pergunta. E ela, sem saber muito bem o significado da palavra intraduzível, responde “nããão”. Diz que os homens daqui são mais sensíveis, amigáveis, diretos, simples. Mas não na balada. Christina achou-os muito agressivos, e a balada, com um clima diferente das do seu país.

Houve um tempo em que gringos vinham ao Brasil atrás de samba. As intercambistas vieram a Floripa esperando house music. Foram ouvir samba de raiz apenas uma vez, justamente no De Raiz, na Joaquina, e não aprenderam o avançado segredo da dança com os pés.

Mas ainda há chance. Além de Floripa, elas vão conhecer Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Foz do Iguaçu ("É difícil definir culturalmente o Brasil, é muito variado", diz espertamente uma delas). No fim de semana, visitarão Blumenau, e lá depositam as esperanças não em um bom samba, mas em uma boa cerveja: “Brazilian beer is kind like water”.

Comentários  

 
0 #1 Marco Zimmermann 09-11-2010 07:42
Hahaha... boa matéria! Já conheci muitos intercambistas que vinham pra Floripa e em geral eles piram!
Elas acertaram em achar a cerveja brasileira aguada, mas só espero que nos EUA não bebam a Bud, a Miller ou a Coors, que são a mesma porcaria! rs
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