Florianópolis vive melhorias na programação noturna, mas não se livra da praga das festas chatas

Por Thiago Momm
Faz sol. As espreguiçadeiras têm vista para o mar. O pessoal é bonito, e o som, interessante. Segura e preservada, a praia se tornou um fetiche turístico. A coisa vai bem, mas às vezes falta alguma coisa.
Diferentemente do que trombeteiam, Florianópolis não é Ibiza, nem Jurerê o maior paraíso hedonista do planeta.
Há muitas diferenças, e a maior é comportamental. Em termos baladeiros, estamos muito atrás. Tudo bem, a programação melhora - no verão tivemos Creamfields, Ben Harper, Amy Winehouse; nos últimos anos, DJs consagrados vêm pisando bastante por aqui; na cena alternativa, surgem bandas cada vez melhores.
Mas com algumas exceções, a atmosfera das nossas festas deixa muito a desejar. Florianópolis se aproximaria de Ibiza num suposto glamour de certas áreas, mas na ilha espanhola essa busca pela finesse não se traduz em festas apáticas. Aqui, sim.
No Google, "Ibiza" remete a bebedeiras com topless (diurno e noturno), gente ensandecida, festas infinitas.
Florianópolis não supera nem mesmo a sua vizinha Balneário Camboriú, geralmente com movimentação festeira maior. E as várias qualidades manezinhas - humor, simplicidade, criatividade - não aparecem em boa parte das noites. Especialmente nas mais caras. A ideia de milionários se acabando na esbórnia só se aplica a festas caseiras; em público, tudo meio sem sal.
Blasé
Não é demais esclarecer: cheguei na ilha aos 5 anos (tenho 31) e orgulhosamente me incluo na população nativa, embora amigos manés me concedam no máximo a condição de "paulistano com Green Card".
Nós florianopolitanos organizamos festas incrivelmente espontâneas como o Bloco dos Sujos, o consagrado dia do carnaval com homens vestidos de mulher. Por outro lado, cedemos passivamente a festas blefadoras - aquelas com estrangeirismos de sobra, preços surreais, mais estilo que diversão.
(Parênteses sobre os preços: pagar caro por um produto diferente tudo bem. O problema é sempre pagar caro apenas por causa do lugar. Curiosamente, uma cerveja artesanal de qualidade em um bar universitário pode sair por R$ 6, e uma cerveja genérica em um lugar que se vende como mais refinado, tomada com ares de savoir faire, R$ 7.)
Em uma festa universitária num sábado à tarde, com sol e piscina à beira-mar, vi mulheres maquiadas, com elaborados penteados, e homens de calça jeans e camiseta polo. Nenhum demérito da organização, só um mau costume das pessoas. No melhor momento, sob calor, poucos baladeiros caíram na água. Festas anárquicas ao estilo filme universitário americano? Esqueça. Algumas, aqui, vêm até importando nomes de consagradas bagunças de lá. Mas fica só nisso, o nome.
Há muitas baladas em Florianópolis cheias de gente blasé. Quem já percebeu isso viu que pouco se pode fazer a respeito. O jeito é simplesmente migrar para lugares com mais pessoas mais gregárias.
"Blasé", segundo o Houaiss: "Aquele que demonstra apatia ou desinteresse em relação a tudo", ou "que se mostra entediado (sinceramente ou por afetação) com relação a coisas pelas quais a maioria das pessoas demonstra interesse".
Nunca escrevi sobre isso pelo receio de que fosse uma teoria muito pessoal. Até que tomei um café com um conhecido promoter de Florianópolis e ele concordou a respeito. Poderia ter concordado por educação, mas fez questão de estender a resposta com teorias e com uma história que me fez rir.
Ao pegar um conhecido seu no aeroporto, uma noite resolveu tentar algo diferente. Sugeriu que fossem não ao tipo de noite refinada que ele, promoter, organizava, mas a festas mais empolgantes para, aí sim, "se divertir mesmo".
- Festa com modelo é a coisa mais chata que tem - ele disse, com uma bufada que poderia ter derramado seu expresso.
Bolhas
As reclamações mais clássicas sobre noites da ilha: mulheres "se fazendo"; pistas repletas de bolhas, de gente na defensiva, e não um clima de unidade, de pessoas conversando com desconhecidos e dançando todas ao mesmo tempo. A noite tem seus diversos momentos, mas raramente parece engrenar (uma regra, claro, com as suas exceções).
Prefiro não especular muito sobre a fama das meninas locais de serem difíceis. É uma escolha pessoal - e uma escolha até compreensível, se levado em conta quão incríveis algumas são.
As bolhas na pista são bem mais questionáveis. Sempre saí muito em Balneário. É simplesmente normal, numa noite qualquer, conversar com vários desconhecidos. Talvez porque muitas pessoas não são da própria cidade, a partir do que não estão nem aí para a reverberação do que fazem à noite.
Enquanto isso, em Florianópolis, expressões entojadas e muito comportamento de vitrine. Um pastiche de aristocracia alheia. Uma auto-defesa injustificável. A consagração do saco cheio.
Ibiza, meu amigo?
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Comentários
* Preço 1: entrada nas baladas: 40 a 70 Euros. Por exemplo, festa do David Guetta ("f*** me i'm famous") custa €70 e fica tão cheio que você não consegue se mexer. Idem algumas festas de Floripa.
* Preco 2: uma água na Amnesia custa 9 Euros. Há alguma balada em Floripa que cobre R$9 ou mais por uma água?
* Bolhas: maioria esmagadora de britânicos em Ibiza. Na minha percepção, são menos receptivos que as manézinhas mais marrentas, que, querendo ou não, ainda têm sangue latino.
* Som: excelente em Ibiza! Porém tão alto que dificulta muito conversar e interagir com outras pessoas na balada.
* Transporte público: igual ou pior que o de Floripa.
Abraço,
Martín
Argumentos baseados na "mentalidade provinciana" não tem fundamento. Já fui em casas boas de Balneário Camboriú e vi problemas como os das boates de Floripa. Além disso, dada a quantidade de imigrantes em Floripa, tenho minhas dúvidas se os manézinhos já não minoria nas baladas.
Floripa é uma "curtissera"! Se tu quer Ibiza, te joga pra lá ou pra SP que é o paraíso do mundo!
Abraço aos que criticam com fundamento e que sabem sugerir melhorias, a chatisse está impregnada no teu imo!
Obs.: Não sou manezinho, mas morei 8 anos em Floripa e digo que a ilha é muito boa, mesmo não podendo bancar as nights mais caras não fico defecando pela boca.
este não sabe usar a internet, só pode hahaha, o que tem de balada boa em floripa, quem sabe depois do 'toque' ele lembre de usar melhor a internet a seu favor
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