
Por Thiago Momm
28/02/11
A empolgação de hoje é, muitas vezes, o eu podia ter ficado quieto de amanhã. Mas redenção aos empolgados, é a insensatez que move o mundo, não tem uma frase que diz alguma coisa assim? Se soubéssemos o ridículo que era nosso cabelo e aquele negócio de vocês salgadinho nós refrigerante, nunca teríamos ido a festas americanas, vencido o abismo entre sofás e convidado a peitudinha pra dançar. Ela não aceitou, mas convidamos. Redenção aos empolgados.
Vai dar prejuízo. Quem sabe espera um pouco, amadurece a idéia. Não sei não. Isso dizem os comedidos. Mas fora comedidos e vida longa aos lunáticos. Louvado seja o impulso e maldita a autocrítica do dia seguinte. Lembra do email, ignorado pelo editor daquela revista nacional, em que você dizia ser o repórter ideal pra cobrir as baladas do sul do país? Pois é. Não se envergonhe. Ou se envergonhe um pouco, mas diga e daí?
É, e daí? Quem nunca fez nada parecido levante a mão.
Obrigado, podem abaixar. Eu dizia: comiseração com o entusiasta. Tanta coisa não dá certo, afinal. Você ligou subitamente pra menina da sua sala como se a coisa mais improvável do mundo fosse ela atender e ela atendeu, claro, normal, é um ser humano como qualquer outro, tem um celular e atendeu.
– Fala.
E você não teve o que dizer. Então. Tivesse pensando melhor, evitaria o constrangimento. Mas o que é um pacote de constrangimentos e sessões no psicólogo pra se livrar dos fantasmas do fracasso e do quase lá, comparado à emoção da tentativa? A empolgação justifica o momento, legitima o ridículo. Na hora, a idéia é válida. Todo homem é do tamanho do seu sonho - e foi ninguém menos que Joseph Mitchell que disse essa última.
Você teve um surto e escreveu uma crônica sobre empolgação a 40 minutos de entregá-la, um pouco mais e o que digitasse cairia direto na página do jornal*. Depois, pode se arrepender achando que deveria ter mandado algum texto pronto do seu arquivo. Mas você estava num frenesi literário, a empolgação é o drible a mais, a apoteose; o resto, anticlímax, e sabe o quê? Na pior das hipóteses é só mudar de cidade, dizer não, aquele cara não sou eu, ou aplicar a lei do ninguém viu. Viu o quê, mesmo?
Quanto mais gente você faz acreditar em você e seus rompantes, mais testemunhas tem da sua alegria ou tristeza, do sensacional ou do pelo amor de deus, que coisa horrível. Se der certo, é bastante gente pra comemorar. Se não der e te incomodarem, diga que a tentativa não faz parte da vida. A tentativa é a vida. Diga, vire as costas e vá embora.
Talvez funcione.
_____
*Este foi o primeiro textos publicado por este blogueiro em jornais. Saiu no A Notícia, de Joinville, em 14/12/04.
A empolgação de hoje é, muitas vezes, o eu podia ter ficado quieto de amanhã. Mas redenção aos empolgados, é a insensatez que move o mundo, não tem uma frase que diz alguma coisa assim? Se soubéssemos o ridículo que era nosso cabelo e aquele negócio de vocês salgadinho nós refrigerante, nunca teríamos ido a festas americanas, vencido o abismo entre sofás e convidado a peitudinha pra dançar. Ela não aceitou, mas convidamos. Redenção aos empolgados.
Vai dar prejuízo. Quem sabe espera um pouco, amadurece a idéia. Não sei não. Isso dizem os comedidos. Mas fora comedidos e vida longa aos lunáticos. Louvado seja o impulso e maldita a autocrítica do dia seguinte. Lembra do email, ignorado pelo editor daquela revista nacional, em que você dizia ser o repórter ideal pra cobrir as baladas do sul do país? Pois é. Não se envergonhe. Ou se envergonhe um pouco, mas diga e daí?
É, e daí? Quem nunca fez nada parecido levante a mão.
Obrigado, podem abaixar. Eu dizia: comiseração com o entusiasta. Tanta coisa não dá certo, afinal. Você ligou subitamente pra menina da sua sala como se a coisa mais improvável do mundo fosse ela atender e ela atendeu, claro, normal, é um ser humano como qualquer outro, tem um celular e atendeu.
– Fala.
E você não teve o que dizer. Então. Tivesse pensando melhor, evitaria o constrangimento. Mas o que é um pacote de constrangimentos e sessões no psicólogo pra se livrar dos fantasmas do fracasso e do quase lá, comparado à emoção da tentativa? A empolgação justifica o momento, legitima o ridículo. Na hora, a idéia é válida. Todo homem é do tamanho do seu sonho - e foi ninguém menos que Joseph Mitchell que disse essa última.
Você teve um surto e escreveu uma crônica sobre empolgação a 40 minutos de entregá-la, um pouco mais e o que digitasse cairia direto na página do jornal*. Depois, pode se arrepender achando que deveria ter mandado algum texto pronto do seu arquivo. Mas você estava num frenesi literário, a empolgação é o drible a mais, a apoteose; o resto, anticlímax, e sabe o quê? Na pior das hipóteses é só mudar de cidade, dizer não, aquele cara não sou eu, ou aplicar a lei do ninguém viu. Viu o quê, mesmo?
Quanto mais gente você faz acreditar em você e seus rompantes, mais testemunhas tem da sua alegria ou tristeza, do sensacional ou do pelo amor de deus, que coisa horrível. Se der certo, é bastante gente pra comemorar. Se não der e te incomodarem, diga que a tentativa não faz parte da vida. A tentativa é a vida. Diga, vire as costas e vá embora.
Talvez funcione.
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*Este foi o primeiro textos publicado por este blogueiro em jornais. Saiu no A Notícia, de Joinville, em 14/12/04.
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