Pré-balada mira público "pseudo-under" e promete mais que voz e violão
Por Jerônimo Rubim, com fotos de Adriano Debortoli
20/08/10
Muita gente anda reclamando mundo virtual afora que o 1007 não é mais o mesmo. Os mais agitados bradam que o lugar se eldivinosou. Na inauguração do Porão 1007 última quarta-feira, 18, a Naipe viu mais do que uma disputa entre underground e high society: o nascimento de um happy hour batuta demais que não quer se meter nessa briga.
Descendo por uma tímida escada ao lado do 1007 Boite Chik, uma portinha se abre pra a versão começo-de-noite do “Boite”, como chamam os mais íntimos. Sofás vermelhos, paredes negras, mesas de vidro com estilosas cadeiras de alumínio, luzinhas que mantêm o clima inferninho. O bar oferece chope Eisenbahn e cervejas do naipe Stella Artois e Devassa; a cozinha, saladas, sobremesas e tentadores hambúrgueres com fritas.
O palco para bandas está lá ao fundo. Arrematando o estilo retrô-chique, duas máquinas de fliperama, R$ 1 a ficha, com jogos de luta e futebol que os viciados dos anos 90 vão adorar relembrar. Évora Ravache, a beldade-negra-símbolo-do-1007, não faltou na festa.
“Acho que não há nada na cidade com essa proposta. Queremos que as pessoas tenham um lugar pra conversar, comer bem e escutar mais do que voz e violão”, explica Rafael Korova, o gerente e espécie de grão-mestre do 1007.
“Queremos democratizar o lugar e fidelizar um público que possa pagar por uma boa noite”, afirma Thiago Mann, o jovem dono do estabelecimento. “Queremos atrair os pseudo-under”, resume Korova.
Se a inauguração serve de amostragem, os desejos mais íntimos de Korova e Mann podem até se realizar. Algo como 100 pessoas colocaram roupa de quermesse para prestigiar o Porão, que ficou florido com mulheres lindas por todos os cantos. O barman teve trabalho para atender a demanda etílica do público. “Muito bom. ‘Suculento’ é um bom adjetivo”, elogia uma loira que havia acabado de se empapuçar com um hambúrguer. O líder da banda Projeto Lemos inicia com Beatles e samba no ukelelê, pra depois fazer o público balançar com um “samba-indie”, como definiu alguém.
“Sempre acho que em Floripa tem um monte de gente que não sai de casa. Estava faltando um lugar como esse para essas pessoas”, diz o empolgado Gustavo, prometendo eleger pelo menos um dia da semana para beber no Porão. “Cresci em Curitiba e lá tem um lugar como esse em cada esquina. Aqui, não”.
Nisso, a Naipe é desafiada pra uma partida de Marvel versus Capcom no fliperama, o popular taito. “Eu posso entrar na cabeça de qualquer pessoa aqui” (?), solta Pictor Diego, enquanto seu Homem-Aranha aplica uma surra no Hulk do repórter. “São todas pessoas muito belas, acho que saem pouco de casa”, continua ele. O quê? "Eu li 'O segredo', é assim que eu vivo", finaliza Pictor. Então tá.
Veja fotos da noite.
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