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VANGUART VAZIO

VANGUART VAZIO

Quem ignorou o pré-feriado e pré-recebimento de salário saiu do John Bull sorrindo

Por Rosielle Machado

03/09/10

As balzaquianas costumeiras e os indies figurinhas fáceis deveriam estar fazendo algo juntos em algum outro lugar, porque no John Bull, na quarta-feira, eles não apareceram. Cheio às quintas ou em noites de lindas iniciativas como trazer tocadores de blues internacionais, o John Bull estava diferente no dia do show do Vanguart.

Com mais ou menos 80 pessoas, a solução foi partir para o intimismo. E deu certo. Quem se deslocou até a Avenida das Rendeiras em plena quarta pré-recebimento de salário e pré-feriado voltou para casa sorrindo. Exceto, talvez, uma menina que passou o show dormindo no ombro do namorado. 

“A gente já tocou pra mais de 30 mil pessoas e ninguém entendeu nada. Público menor nos dá a vantagem de se divertir mais sem se preocupar com protocolos”, disse o vocalista Hélio Flanders para a Naipe após o show.

No começo da noite havia uma desconfiança geral: “Mas não vai lotar?”, perguntava-se o público comportadamente sentado, baldinhos com cerveja nas mesas. Houve quem estivesse complacente. “Fico com pena”, disse um; “Ah, é Lagoa, é quarta-feira... Acho melhor ter menos gente, você consegue curtir mais”, amenizou outro. Alguns se constrangeram pelo fato de a cidade não lotar o show de uma banda tão incensada nacionalmente.

A Naipe achou tudo meio estranho, bocejou, coçou o olho, esperou. Perto da uma da manhã, logo após o surto de vontade coletiva de batata-frita que atingiu as mesas, o Vanguart subiu ao palco e carregou quase todo mundo lá pra perto - e de lá o pessoal, magnetizado, não arredou o pé. Só alguns poucos teimosos preferiram ficar passando ketchup nas batatas. A dorminhoca já começava a querer apoiar a cabeça no ombro do namorado.

Mc Donald's

Logo nas primeiras músicas a banda cativou, mesmo que só os mais fãs soubessem as letras na ponta da língua. Um cara particularmente empolgado cantava tudo no melhor estilo igreja universal, braços pra cima, olhos fechados em êxtase.

A banda se empolgou, sorriu, agradeceu, ficou com calor. Quando o vocalista Hélio Flanders tirou o casaco, foi automático: “Mc Donald's!”, gritou alguém a respeito da camisa de listras brancas e vemelhas.

O comentário despertou em Flanders uma série de gracejos: “Eu já trabalhei no Mc Donald's...”. Depois de uma pausa de efeito, um acorde no violão, esboçou um sorrisinho de canto: “Não vale a pena, viu, gente”. A partir disso, a cada fim de música, público ou vocalista faziam um comentário espirituoso/malicioso/capcioso.

Quando todos esperavam mais uma gracinha, ele soltou, sério: “Essa é pra quem acredita”. O público entendeu a mensagem. Gritou, fez uhul, assobiou e se preparou para cantar em uníssono o maior hit da banda, Semáforo. Nem os covers de Beatles - Back in the USSRDon't let me down, Helter Skelter - que vieram em seguida causaram tanto frisson.

Os mato-grossenses no público estavam emocionados. Quando Hélio perguntou pelos cuiabanos (de nascença ou de coração), várias mãos se levantaram. Lucas Pasqual (parte dos de nascença) elogiou: “A música é bem diferente do que se faz lá na região, acho legal eles estarem se expandindo.”

Depois de mandar um bis triplo, a banda não se despediu - Flanders disse pra galera ficar por ali “pra gente tomar uma cerveja”. E bem que tentou. Com uma Quilmes chocando na mão, passou uma hora fazendo tudo menos beber: ouviu elogios, tirou fotos, autografou CDs e conversou em espanhol com a Naipe - há duas composições da banda na língua.

Uma moça alugou-o por 15 minutos pedindo desculpas em nome da ilha, dizendo que não prestigiamos bandas que não vão ao Faustão etc. Flanders deu um gole na cerveja, assentiu com a cabeça, ajeitou o cabelo. Um lorde. 

Comentários  

 
+3 #3 Nina-Carmo Bamberg 26-09-2010 18:43
É muito fácil falar que Florianópolis não tem interesse pelas bandas quando nunca se discute o preço altíssimo dos ingressos ou o valor alto de qualquer coisa que se consuma nas casas hoje em dia. Não se fala da má divulgação, que muitas vezes é a falha principal da produção, que esquece de avisar quando vão haver shows e esperam que o público fique sabendo por mágica e apareça. Florianópolis tem público para tudo que se quer trazer pra cá, mas não adiantar querer que a ilha seja São Paulo. Quem faz show, tem que entender que a população de Florianópolis não é só aquela que aparece nas capas de revista ou que mora na Beira-Mar e passa o fim de semana no Costão do Santinho. Universitário que vive de bolsa também é público, trabalhador também é público e acorda cedo na quinta-feira pra trabalhar, não podendo ficar até 4:00 na Lagoa assistindo um show.
É fácil falar que a população não aprecia quando as condições dadas pelas casas e produtores são as piores possíveis.
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+3 #2 Nina-Carmo Bamberg 26-09-2010 18:41
Florianópolis não aprecia bandas que não aparecem no Faustão? Então vamos explicar casas lotadas para assistir Mundo Livre S/A absolutamente todas as vezes que eles pisam aqui, casas igualmente lotadas para receber Lenine, a finada Cordel do Fogo Encantado, BNegão ou Fernanda Takai e seu belo projeto cantando Nara Leão. O apreço pelas bandas gaúchas que viviam por aqui, como Júpiter Maçã, Graforréia e tantas outras. Público na expectativa de ver as bandas locais, que por muito tempo acompanhou e ainda acompanha bandas como Dazaranha, Tijuquera, Andrey e a Baba do Dragão de Komodo, Samambaia Sound Club, Da Caverna, Sociedade Soul, entre mais e mais bandas que ainda hoje estão completamente na ativa, fazendo shows em parceria com o DCE da UFSC ou por conta própria e ouvindo seu público cantar as músicas de cor.
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0 #1 Breno Biagiotti 03-09-2010 18:06
Quem gritou Mc'Donalds foi o Fábio Bianchini....ex repórter do DC. Eu tava lá e curti o show com o meu baldinho de Heinekens e uma galera amiga. Ruim foi acordar cedo no dia seguinte...
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