Madrugada começa com Chopp do Gus, passa por 1007 e termina em doguinho de festa junina

Da equipe Naipe, @revistanaipe
04/07/11
Foi massa.
A Naipe há muito devia uma cobertura do Chopp do Gus. No sábado, aproveitou a ida e duplicou a cobertura: emendou um 1007 Boite Chik, e na saída do inferninho (expulsa da pista) cismou que a balada não deveria ter fim, a vida é curta, essas coisas. Frio? Dane-se. A ideia era acordar os fracos que lá pelas 6h dormiam e dar sequência à festa na casa de um dos editores. Tudo bem que a madrugada terminou em mini-cachorros quentes de uma sobra de festa junina. Valeu a intenção.
Menos midiático que seus concorrentes na noite da ilha, o Chopp do Gus do Córrego Grande tem algo de despretensioso, um ar de quem não quer nada.
Você paga R$ 10 para entrar - um terço do valor do Santa Hora, não distante dali.
Você paga menos que nos Originais da vida pelas porções - e pode comer a bufa-batata-frita submersa em queijos.
Você quer beber, conversar, apavorar? Há um ambiente para cada coisa.
Cansou de ver gente segmentada, querendo se mostrar demais alguma coisa? Lá é o espaço dos sem-tribo.
E mais não dizemos, que tudo isso já está soando marqueteiro demais.
No sábado, tocava a banda X - nome sintomático de playlist-qualquer-coisa, como observou o editor da Naipe Jerônimo Rubim, achando ainda mais sintomático um escrito no cartaz que anunciava a banda: "We're still alive - tour 2010-2011". E o show começa com que música, senão Alive, do Pearl Jam, que entoa "I'm still alive..."?
Mas o som é bom. O mais do mesmo rock de sempre é muito bem executado, empolga o bar e o principal: uma cabeçada de conhecidos Naipe toma um espaço próximo ao balcão. Catorze tequilas surgem. E mais quatro, e a noite tem a espontaneidade e fluência das melhores noites.
Uma galega gordinha, passional e bêbada passa clamando: "Thiagooo, Thiagooo". Um hora antes, na entrada do Gus, ela berrava por outro cabra distante, no que era segurada por uma amiga. Muita gente estava fora de si. No banheiro (ver foto no slideshow) um sujeito se lamentava, "eu sou careca!", com as mãos sobre a cabeça quase pelada.
No segundo andar da casa, um aniversário de um surdo-mudo destoava: quase silêncio, linguagem dos sinais.
Fuso etílico
Era noite de trash no 1007 - clique aqui para ler debate Naipe sobre o assunto.
A Naipe chegou tarde, quase 4h. A casa já não estava cheia. Se é que esteve com lotação máxima: no sábado que vem, o inferninho completa dois anos, a partir do que muita gente deve estar concentrando energias.
Na pista, todo mundo parecia se conhecer. As pessoas se reagrupavam o tempo todo, conversavam, sacolejavam. É claro que um cara e uma menina caem no chão. Gays abraçam gatinhos e amigas ao som de festas americanas da virada do século, muita música nacional inclusive. Em alguns momentos, o pole dance é atacado coletivamente.
No fuso horário etílico parece que a madrugada vai pelo meio. É quando o segurança coloca a mão educadamente no seu ombro e diz que a noite já era - são 5h30 ou algo do tipo. E logo você está no carro achando as músicas mais pesadas dos Black Keys (uma espécie de Jimi Hendrix século 21) coisa pouca.
- Tenho um remix muito bom da Pacha de Ibiza no computador - diz alguém, e propõe aquelas infames ligações para acordar os outros. Se é pra ser hedonista vamos fazer a coisa direito. Festa sem-fim, final de semana imerso na bagunça.
A ideia morre aos poucos, com a melancólica lembrança dos poréns que uma festa de domingo inteiro acarretaria. A realidade nubla as pretensões. O conformismo prevalece. Os doguinhos estavam bons.
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Redação Naipe
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