1007 Boite Chick: primeiro meretrício, depois night indie, agora sensação pop

Por Rosielle Machado, com fotos de Gabriel Vanini
11/07/11
No banheiro feminino do Porão 1007, três amigas cambaleavam declamando Carrapicho – famosa banda de batucada que se vestia de índio nos anos 90 – aos berros. Eram só 23h30. Lá fora, a fila de entrada estava mais comprida que em dia de estrogonofe de camarão no RU. Na pista de dança, Lady Gaga (sempre ela) soava nas caixas de som, enquanto um casal de homens se beijava e meninas com cabelo impecável e saltos altíssimos posicionavam-se estrategicamente em frente ao maior ar-condicionado do lugar.
Há dois anos, nem a fila quilométrica, nem o ar-condicionado nem as arrumadinhas empiastradas estavam lá. Em 2009, na primeira festa do 1007 Boite Chik, todos os indies da cidade cozinhavam espremidos entre o pole dance e o bar. Não havia espaço para mulheres-divinas ou correntes de ar. O único aparelho de ar-condicionado era pequeno e velho. Os espelhos estavam suados, muito suados. A estrutura do show era improvisada: quando foi cantar, a vocalista da banda levou um choque na boca. Mas ninguém ligava, era uma festa no inferninho, muito avant garde.
Naquela noite de 2009, como no último sábado, a atração principal era o Copacabana Club. Se não fosse por aquele primeiro show, o lugar provavelmente nem teria passado de puteiro a balada. Rafael Korova, atual sócio do 1007, estava na sacada do prédio da promotora Ju Baratieri pensando em um lugar para fazer o show em Florianópolis quando notou o 1007 ali embaixo. Os dois desceram na hora para tentar uma conversa e deram sorte: a direção tinha acabado de mudar e o novo dono não gostava de trabalhar no ramo da libertinagem. Ele tinha recebido o 1007 em uma dívida, mas não exibia o brilho do cafetão.
Naquela noite de 2009, como no último sábado, a atração principal era o Copacabana Club. Se não fosse por aquele primeiro show, o lugar provavelmente nem teria passado de puteiro a balada. Rafael Korova, atual sócio do 1007, estava na sacada do prédio da promotora Ju Baratieri pensando em um lugar para fazer o show em Florianópolis quando notou o 1007 ali embaixo. Os dois desceram na hora para tentar uma conversa e deram sorte: a direção tinha acabado de mudar e o novo dono não gostava de trabalhar no ramo da libertinagem. Ele tinha recebido o 1007 em uma dívida, mas não exibia o brilho do cafetão.
Depois da primeira festa o lugar virou abrigo de indies. Não foram poucos os que migraram de Blues Velvet e adjacências para lá. Indecisa entre ser puteiro ou balada, a casa se dividia: o meretrício reinava de domingo a quinta, mas sextas e sábados, durante as festas, as profissionais folgavam. Só em janeiro do ano passado é que a putaria foi erradicada de vez. Coincidentemente, foi quando o lugar começou a atrair gente não tão alternativa assim. E não foram poucos os indies que fizeram cara feia para a eldivinização da Boite e voltaram para seus redutos originais.
“Começou a ter muita pati e cara de regata”, estilinga o estudante de pós-graduação Gabriel Luis Rosa. Ele frequentava a casa noturna desde o início, mas há um ano, quando percebeu a mudança de público, decidiu: não coloca mais os pés lá.
O sócio do 1007 Rafael Korova acha a mudança de público linda, e não só comercialmente: “Eu mesmo vim do El Divino. Acho do caralho essa ´conversão´ porque as pessoas ficam mais abertas, até mais tolerantes com homossexuais e tudo”.
O estudante de Administração Gabriel Fernandes foi um dos primeiros frequentadores do El Divino a descobrir o 1007. Na época, com o Confraria em reforma, só lhe restava a casa da Beira-Mar, Jivago ou o Boite Chik. A primeira vez que foi ao inferninho, final de 2009, Gabriel percebeu que o público era 90% alternativo, mas aos poucos começou a ver cada vez mais rostos conhecidos por lá:
- Acho que o 1007 veio a calhar numa época em que muitos tabus estão sendo quebrados. Héteros estão aceitando a ideia de dançar Britney a noite toda, acham que o rendimento amoroso nessas festas assim ‘no rules’ compensam mais... Afinal, o público é bem diferente das patricinhas da capital mexendo só o pé pra não destruir o babyliss, segurando seus champanhes e vendo quem as admira mais.
Na festa de dois anos, o 1007 estava com certos ares de 2009. Exemplares da fauna alternativa ilhoa estavam lá, Évora estava lá, os velhos espelhos suados também – nem os sete aparelhos de ar-condicionado foram suficientes para conter os vapores da pista lotada. Como que para relembrar o choque elétrico de 2009, o equipamento de som deu problema na primeira música do Copacabana Club – que acabou não fazendo o show.
Os sócios do Boite Chik pensam em maneiras de compensar o problema, apesar das escassas reclamações – segundo a direção da casa. Talvez os mil e sete segundos de open bar à meia noite tenham ajudado na construção do clima paz e amor, talvez a tal eldivinização tenha contribuído para que o Copacabana Club nem fosse a atração mais esperada da noite. Fato é que neste momento, no Facebook do 1007, tradicional ponto de resmungos dos clientes, o comentário que mais chama a atenção é este: “Eu esqueci minhas orelhas de coelho de renda por aí, alguém achou? Beijos!”
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Veja aqui fotos da festa de dois anos
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Veja aqui fotos da festa de dois anos
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Comentários
Julie,
A pedidos, agora colocamos créditos de foto e de texto!
Abraço,
A Redação
Tá lindo o texto.
Quem escreveu?
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