Com baixarias escritas nas roupas e cassetete nas mãos, mulherada no clube 12 chamou na chincha

Da equipe Naipe
29/08/11
A mulherada chamou na chincha - que, nos explica o dicionário, é uma "pequena rede de arrastão".
Então era isso mesmo. Uma pélvis feminina inquieta no palco. Uma garçonete com "posso anotar o seu pedido" escrito na bunda. Uma funcionária dos correios com "Fodex" em vez de "Sedex" estampado na blusa. E muitas delegadas da paixão.
Uma friaca mediana e o chão molhado após a escadaria da entrada eram dos poucos sinais de que o carnaval era fora de estação - foi a primeira edição do Carnaval de Inverno no clube 12.
De resto, a madrugada de sexta (26) lembrou bastante a do Baile Municipal carnavalesco no 12: casa cheia, público tangenciando os 20 anos, línguas serpenteando nervosas, fragmentos de conversas surreais nos banheiros, muita gente efusiva - a noite era open bar, incluindo vodca e energético.
No palco, banda Yes Brasil, DJs de house e funk, bateria da Protegidos e Diana Dias, a linda aspirante a Ivete Sangalo ilhoa, com a sua trupe.
Delegadas
Entre a libertina funcionária dos correios, a garçonete de sonho erótico, Luigi, Mônica, Magali, Shrek, Jô Soares, gângsters, bat e taxigirls, índios, enfermeiras, indefinidas figuras históricas de paletó e policiais, muitos policiais, a maioria dos fantasiados aparentemente despendeu uma boa grana. Os improvisados, remendados, adaptados não eram muitos. De qualquer jeito, as compras de fantasia foram criativas, variando o resultado.
Mas por que tantos policiais - a maioria, aliás, mulheres? Três explicações, que não se excluem, são possíveis:
1) A sociológica, algo como "gostamos de sonhar que fazemos frente a essa criminalidade toda por aí";
2) Se vestir de policial é mais fácil, como nos explicou um tira;
3) Uma hipótese menos provável, mais abstrata: não se fazem mais José Mayer como antigamente, os sexshops arriscam mulheres algemando mancebos em outdoors, um sertanejo enaltece a "delegada da paixão" - enfim, o cassetete está com elas. Um policial, aliás, andava pelo salão segurando um cartaz em que se lia "amor" em letras grandes. Isso porque procurava uma mulher por quem faria de tudo, explicou. Hum.
Outra coisa que ensimesmou a Naipe foram as fantasias-não-pega-ninguém. Muito engraçado, muito engenhoso e tal ir de Shrek ou Jô Soares (inclusive com a caneca do gordo), mas e pra mostrar que você não está só de brincadeira?
O pobre Jô circulou sozinho a maior parte do tempo. A grande surpresa foi Shrek: no que a Naipe se deu conta, o ogro lambia uma vítima - mostrando, pelo menos, que os homens resistem.
Não está morto quem peleia.
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Veja fotos da noite.
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