Naipe faz maratona etílico-filosófica de 12 horas com uma Patoloko no meio do caminho

Da equipe Naipe
31/10/11
Ficar borrachos por 24 horas era o objetivo de três integrantes da Naipe quando se abancaram na parte externa do Mercado Público ao meio-dia do sábado.
O objetivo era menos ensino médio do que pode parecer. Não ignoramos as implosões causadas pelo alcoolismo; sabemos quantos babacas embriagados têm destratado mulheres; somos cientes da quantidade de cretinos que vêm subindo calçadas e espatifando pedestres após seus tragos - sobre isso, não percam este artigo retumbante da revista Época.
Así que nosotros queríamos nos quedar borrachos justamente para filosofar sobre as virtudes e desvirtuamentos da cachaça. Abrir as portas da percepção, aquela coisa. E se foi com um chope Heineken que começamos, foi com uma cachaça curtida no butiá (vendida por um tiozinho de Laguna numa garrafa de Red Label) que demos sequência aos trabalhos.
Nosso roteiro incluía, depois do centro, a ida para a Patoloko (leia mais abaixo) e, mais tarde, para o Warung, em Balneário. Sempre de van e ônibus, por responsa e falta de motorista sóbrio da rodada.
- Quando se fala em bebida, todo mundo dá um sorrisinho. Por quê? Pelo tanto que a bebida nos altera. Porque ela nos tira do nosso estado moderado. Então falar em "beber moderadamente" é um oxímoro - regurgitou um integrante Naipe, já enxergando a fachada do Mercado mais cintilante.
A conversa descambou para bibliotecas, mulheres e especialização dos conhecimentos - um dos bêbados falou em "epopeia da filosofia ocidental". Já era algo como 14h quando nos levantamos e, garantido o caráter manezinho do nosso périplo, fomos comer um pastel no Kekos. Pegamos os três últimos do dia, de carne, e os mandamos pra dentro com duas latinhas de Skol.
Na Kibelândia, próxima parada, houve um precoce momento deprê. A TV exibia clipes anos 80, essas bizarrias melancólicas. Pra ajudar, chovia e o bar estava praticamente vazio. Quando Forever Young, tocada pelo Alphaville, ressoou na televisão, um ar de eternidade triste tomou o lugar.
Quatro cervejas 600 ml - tanto faz a marca: a mesma aguinha com cevada vendida por departamentos criativos de marketing instruídos a nunca falar do líquido em si - foram entornadas com quatro quibes e partimos ziguezagueando pelo plúmbeo e molhado centro antigo da ilha. Um de nós estava especialmente mal.
- Tô muito louco. Botaram alguma coisa naquele quibe.

Patoloko
Já foi não digitando muito bem no teclado do celular que a Naipe entrou na van que levaria da UFSC à Patoloko. Qual sindrômicos de Peter Pan, os três trintões (algo que com certeza não conseguiríamos pronunciar àquela altura) sacaram a cachaça de butiá da mochila. Enchemos o copinho vezes o suficiente para servir todos os passageiros da van - e então servimos apenas nós mesmos.
Até oferecemos uma dose para um universitário imberbe de Criciúma, mas o gogó do rapaz ameaçava devolver o que ele vinha bebendo. Juventude perdida.
À parte uma morena tantalizante sentada lá atrás (sósia de Zeta-Jones ou guapa que o valha), as outras meninas tinham aparência estranha àquela hora. Reza o senso comum que a bebida embeleza as pessoas (ou as torna melhores, o "bebo para tornar as outras pessoas interessantes" do crítico de teatro americano George Jean Nathan), algo obviamente verdadeiro mas com exceções. Cachaça de butiá com cerveja, por exemplo, também caricaturiza as pessoas. Sabem todas essas mulheres da ilha parrudas em vestidos tubinhos floridos e com maquilagens carregadas? Sob o olhar do bêbado, a maquilagem parece ainda mais carregada e algumas não ficam distante da aparência de elfos ou do Coringa.
Na Patoloko, só alegria. Tanta alegria que nos esquecemos do objetivo filosófico da nossa manguaça e caímos na patuscada.
A Naipe esperava uma festa comprometida pela chuva, mas uma incrível estrutura protegeu a todos. Coisa mais linda. Uns alemães alugavam, emocionados, algumas brasileiras. No camarote, o chope era sem-fim. Muita gente estava falante, gregária e querendo mais fotos que o habitual.
Veio a noite no P12 e uma dúzia de intrépidos caiu na piscina. Enquanto isso, no palco, Beto, nosso cara-contato na Patoloko, ousou a patacoada de vestir o cabeção-símbolo da festa, subir no palco e descer até o chão. Mais louco que o pato. Não titubeamos e subimos também, para fotografá-lo. Quando se deu conta, o fotógrafo Naipe estava atrapalhando o homem do violão - aparentemente, era o homem do violão.
Das festas que cobrimos este semestre, a Patoloko parece ter ganhado em mulheres bonitas. E não apenas sob o parâmetro open bar - do ponto de vista do confere posterior das fotos, também, como o leitor pode ver abaixo.
12 horas
Entregues no Titri, prostrados no banco do terminal, calculamos o que nos separava do Warung - um ônibus de linha, outro intermunicipal e um táxi da rodoviária de Balneário Camboriú até a Praia Brava de Itajaí. O dever profissional nos chamava; o bom senso, não. Um dos integrantes insistiu. Falou em energéticos, dormida no ônibus. Foi rechaçado, recachaçado pelos outros. Nada de Balneário. Por que não, como saideira light, um Chopp do Gus?
Lá fomos. Patético. Uma porção de coraçãozinho, linguiça e mais alguma coisa depois (acompanhada de chopes 500 ml) e já não estávamos mais em condições de compartilhar com os outros seres da vida noturna sua condição alegre e falante. A banda mandava alguma coisa boa (rock, samba rock ou minimal, não estava bem claro para nós), mas sem chance. Era meia-noite e pouco quando partimos.
Apenas 50% das 24h tinham sido cumpridas. Amadores. Dentes de leite. Quem sabe numa próxima. Com mais filosofia no meio. E sempre com responsa. Sem subir nas calçadas.
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Veja 88 fotos da supimpa Patoloko.
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