Francês aposta tanto em singles pop com vocais como em eletrônica das suas origens

Da equipe Naipe
07/01/12
Chove em Florianópolis quase todos os dias. Mas aparentemente não na cabeça de Marcos, 24 anos, de Rio Claro (SP). "[A estadia] já passou da expectativa", diz ele, uma semana com El Divino, Original, Confraria e P12 nas costas, um David Guetta à frente. "Me falavam das mulheres daqui, eu não acreditava."
Às 23h, o Stage Music Park estava cheio, mas ainda não socado. Parte do público fora dos camarotes colocava os baldes de bebida no chão, mesmo.
Acima de qualquer outro aspecto, elogie-se o esquema especial de estacionamento do Stage montado para noites de maior porte. Aos motoristas era indicado, pela polícia no trevo de Jurerê, um estacionamento um pouco mais adiante na SC-401, coisa de cinco minutos dirigindo. Lá, parar o carro ficava por 10 patacas, com vans seguidas até o show inclusas no preço. Eficiente e bem mais interessante do estacionar no próprio Stage (que custa R$ 40 e só fica interessante com os 50% de desconto para os carros com mais de quatro cabeças).
- Vamos fugir que ele tá muito chato - desabafava no mictório um amigo ao outro, falando sobre um terceiro.
- É mal.
- Será que ele não foi pro outro lado?
Já bem depois da meia-noite, aí sim o complexo do Stage encheu até a boca. Foi quando o francês très sympa David Guetta - o DJ número 1 do mundo na votação popular promovida anualmente pela revista inglesa DJ Mag e sem dúvida o DJ mais midiático do planeta hoje - assumiu as pick-ups.
No quinto álbum, o duplo Nothing but the beat, lançado em agosto do ano passado, David Guetta mostra como se lida com a fama: os dois discos trazem parceria com nada menos que 17 convidados - Flo Rida, Snoop Dogg, Chris Brown, Taio Cruz e assim por diante, resultando na mistura de eletrônica com rap, hip hop, R&B e pop.
O resultado do primeiro disco é a trilha sonora de confiança, empolgação e inquietude dos tempos, refletidas em milhões de equalizadores registrando as batidas de Guetta. E assim ficou garantida mais uma turnê tsunâmica pelo mundo.
No segundo disco o DJ se dirige aos fãs dos primeiros tempos, que sentia "estar perdendo" recentemente. A tradicional indisposição dos que veem seu querido artista chegar tão longe. Eis que Guetta responde com dez músicas exclusivamente instrumentais - biscoitos finos da eletrônica pra chato nenhum reclamar, como Glasgow, Metro Music e Toy Story.
Deus pai
No Stage, o homem entrou depois de um anticlímax de quem fez seu warm up. A pista estava em fogo baixo. Nas caixas, samples de Around the world e de At night. "Pode parar que não tá tão divertido assim", sorriu um amigo para outro. De fato, nas bordas da pista, lá atrás, o clima era de entretenimento leve e apreensão.
Mas então eis que. Sim, eis que no telão um vídeo de divulgação da turnê Nothing but the beat apareceu, e com ele Guetta. Sweat, single do primeiro disco, ressoou nas caixas. Comoção geral. Galegas ensandecidas, máquinas fotográficas espocando, o poder do batidão correndo pelas veias dos braços levantados, a devoção ao deus pai todo poderoso.
Ele mandou para os fiéis, no microfone, um "Floripa" e um "party people". Colou os versos de Love is gone, single de 2007, em cima da batida de Little Bad Girl, o hit maior do álbum novo. E seguiu exibindo o arsenal, depois passando também pela sua outra personalidade, de sons mais pesados. A chuva havia ganho força, mas aí já não fazia tanta diferença - os não convertidos tinham se tornado um número irrelevante. Lado a ou b, David Guetta sacode a todos.
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
| < Anterior | Próximo > |
|---|





Comentários
Assine o RSS dos comentários