Entre sons progressivos e direto nos tímpanos, festival mistura alternativos, argentinos, bombados e avatares 
Da equipe Naipe
Euforia, braços levantados, integração, risadas, Stage Music Park lotado das 23h em diante, viagens ao centro do eu: nas 9 horas em que a reportagem circulou pelo Creamfields, a impressão foi a de um festival realmente funcionando muito bem.
"É uma loucura controlada, com pouca gente se passando", elogiou um festeiro para a Naipe.
"Mulherada assim eu gosto: padrão", agitava-se outro. "É a quarta melhor festa do mundo. A primeira, de boa, é Cancun [sic]". A segunda, Ibiza [sic]. A terceira são as que eu faço na minha casa. E a quarta é o Creamfields. A gente cria expectativas, mas o Creamfields sempre supera."
Acostumada à versão portenha do festival (que conta com cerca de 40 DJs, contra 15 no Brasil), a argentina Lihuen estava achando a DJ alemã Ellen Allien "muy buena!!", sua semana de férias em Florianópolis idem mas o espaço menor do que esperava: "Só tem essas duas arenas?"
Enquanto Allien tocava (na Cream Arena, a secundária), a Naipe conversou com Carlos Costa, requisitado DJ da noite ilhoa. "Ela leva o set com muita graciosidade, com aquela sensibilidade feminina". Exato. Tratava-se de uma noia boa, não blasé. Nas pick-ups, a loira teutônica dançava feliz entre os remixes. Uma diletante. Um som sincero e entusiasmado.
A fauna diferia bastante nas duas arenas, mostrando que o público de eletrônica está longe de ser um só. Repetiam-se os pilhados de óculos escuros, mas na principal chamava a atenção a quantidade de bombados e as avatares de vestido, enquanto na Cream dezenas de argentinos se misturavam a indies, alguns europeus e outros grupos menos berrantes.
Reflexo do som, que na pista principal era da linhagem pancadão. O DJ Rafaek Yapudjian, a dupla Friendship e o trio Ask 2 Quit, todos nacionais, tocaram das 18h às 22h, para uma plateia até aquela hora em número modesto e ainda se energizando - com as devidas exceções da horda mais próxima do palco, claro.
A noite parece ter começado mesmo com o trio também brasileiro Life is a loop e ebulido nos três últimos nomes: o alemão Paul van Dyk, as gêmeas australianas Nervo e o inglês à beira dos 50 anos Fatboy Slim. Dyk, com seu som espacial chatão, parece fazer o público reagir mais à base de massa sonora bruta que de algo mais discernível. Nervo fez as ondas crescerem dentro do público e à certa altura sapecou, com sucesso, versão de Message in a bottle e samples de Wonderwall.
Sim, e às 4h o homem veio, tão esperado e armado quanto chefão final. Os canhões de luz pareceram ter trabalhado muito mais, a teatralização aumentou. Sinceramente, a Naipe estava meio ressabiada com o anúncio de Fatboy como headliner de um festival. Ele não é aquele cara que fez todo mundo se emocionar com um show ao vivo na praia inglesa de Brigthon, depois veio algumas vezes ao Brasil e recentemente anda ofuscado por vários nomes ascendentes?
Talvez, mas não importa. Fatboy continua sendo a melhor resposta aos fleumáticos da eletrônica. Enquanto outros DJs dão aquelas dedadinhas no crossfader, o homem trabalha. Beleza: para quem é da viagem progressiva e conceitual, o rapaz pode soar muito cru - pega refrões e trechos conhecidos e manda direto nos tímpanos. Mas nunca se trata de uma simples lista pop tocada em sequência. No Creamfields, por exemplo, Fatboy soube ser elíptico: tocou trechos mais breves das suas músicas mais batidas e logo fez soar um Rolling in the deep, de Adele. Sempre com muito timing e faro para o que funciona. Além de sacolejar junto.
Nenhum problema, portanto, em ter Fatboy em vez de um top 10 da DJ Mag encabeçando o Creamfields Brasil. Para quem se aditivou com calzones, a manhã ainda viria com a raipada dupla inglesa Layo & Bushwacka na arena secundária. De qualquer maneira, dada a lotação do festival nas duas edições ilhoas, em 2011 e agora, talvez valha o risco de uma edição maior, com line-up mais numeroso e ambicioso à altura das edições em outras plagas.
Veja fotos.
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