Paradigma Cine Arte é Don Quixote lúcido na briga por melhoria na programação de cinema
21/06/10
Há dois meses, o auditório do Corporate Park, na SC-401, tinha cadeiras estofadas escuras. Agora as poltronas são altas, largas, vermelhas, confortáveis e posicionadas de frente para uma tela com filmes não exibidos em outros cinemas.
O Paradigma Cine Arte ajuda a tapar um buraco em Florianópolis: a exibição de filmes fora do circuito comercial mas respaldados por prêmios ou algum barulho entre cinéfilos; filmes alternativos com um público cativo pelo menos em grandes capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo.
O responsável pela programação do Paradigma é o engenheiro e cinéfilo Frederico Campos Didoné. “Vamos tentar variar bem. O objetivo é uma programação diferenciada.”
O filme da estreia foi Cada um com seu cinema, homenagem aos 60 anos do Festival de Cannes com curtas de 35 diretores sobre a experiência de ir ao cinema.
Nesta quinta-feira (24) será exibido Doce de Coco, vencedor do edital de longa-metragem promovido pelo Governo de Santa Catarina.
Na sexta (25), o Paradigma exibirá o documentário Pachamama. O diretor brasileiro Eryk Rocha viajou ao Peru e Bolívia para entender como mitos e raízes estimulam a arte e a política na América Latina.
Filmes e boeings
No começo, as sessões fixas serão só nas sextas-feiras, às 19h e às 21h30. Nas três próximas quintas, no entanto, serão exibidos filmes catarinenses. Além de Doce de coco, de Pena Filho, estão programadas duas sessões com cinco curtas-metragens de Zeca Pires, o diretor do peralta longa-metragem Procuradas.
Com o tempo, a ideia é estender a programação para sábados e domingos. A meia-entrada custa R$ 6, e o estacionamento do Corporate Park, R$ 3. Os ingressos podem ser reservados pela internet.
Na inauguração para convidados, regada a vinho e quitutes, no dia 9, o público aprovou a iniciativa e os salgadinhos. O cineasta Zeca Pires era um dos entusiasmados e fez comparações entre filmes e boeings, cinemas e aeroportos. “Do que adianta você ter um boeing se faltam aeroportos? Como cineasta, eu sinto que faltam cinemas de arte em Florianópolis e acho a idéia louvável.”
Hoje, com o CIC em reforma, os filmes mais próximos desses na ilha são os dos cineclubes, embora muitos tendam a ser mais antigos ou mais alternativos – e, claro, exibidos em salas e telas menores. Há também sessões do CineSystem, no Shopping Iguatemi, dedicadas a não-blockbusters. Cerca de 4% das sessões semanais (7 das 171) são reservadas para isso. O Cinemark, do Floripa Shopping, também tem sessões do gênero (leia comentários abaixo).
| < Anterior | Próximo > |
|---|





Comentários
Tô adorando o Paradigma CineArte, especialmente agora estando órfã do CIC.
Ótimas escolhas de filmes e preço justo. Parabéns pelo trabalho.
Assine o RSS dos comentários