Surra em secretário de segurança pública gera risadas altas e duas tímidas palmas no público
08/10/10
"Apesar de possíveis coincidências com a realidade, este filme é uma obra de ficção". A simples frase na tela preta já foi motivo de risinhos irônicos, mostrando que o clima na estreia de Tropa de Elite 2 era de expectativas altas. O cinema lotado estava preparado para sangue, humor negro e violência. Pelas caras de satisfação no final do filme, viu-se isso e mais: uma produção refinada que tem tudo para superar o fenômeno anterior.
Mas tem "missão dada é missão cumprida"? Tem "zero-dois", música tema, tiros e vilões apanhando? Tem, sim senhor. Tudo no mesmo esquema do primeiro. A diferença é que em Tropa 2 o Capitão Nascimento vira coronel e, no cargo de subsecretário de segurança pública do Rio de Janeiro, consegue dar jeito no problema do tráfico de drogas. O solitário ex-Bope lindamente interpretado por Wagner Moura percebe, então, que o buraco é mais embaixo.
Os policiais e políticos corruptos assumem a função dos traficantes de controlar as favelas. Como diz o subtítulo, "o inimigo agora é outro". Coronel Nascimento continua com a mesma ideia fixa de combater o tal sistema mencionado no primeiro filme, mas o sistema mudou. Antes, era o tráfico; desta vez, é a corrupção.
Na poltrona ao lado da Naipe, um senhor grisalho suspirava como se na tela os policiais com correntes de ouro pudessem se ofender. "Safados", disse. Durante uma cena de troca de maletas recheadas com dinheiro, soltou: "Que podridão". Quando o Coronel Nascimento desce o cacete no secretário de segurança pública, todos no público compartilham o sentimento. A surra gerou risadas altas e duas tímidas palmas.
Ao fim da sessão, elogios. Se não ao enredo, pelo menos à incontestável qualidade técnica. Tropa de Elite 2 tem mais ares de superprodução que o primeiro. Os responsáveis pelos efeitos especiais, importados de Hollywood, capricharam. E assim, senhoras e senhores, o Brasil fez um ótimo filme de ação, com direito a bala congelada no ar etc.
Depois da clássica música final, um casal sai sorridente do cinema. Aprovaram. "Muito bom, achei melhor que o primeiro", diz a garota. O namorado sorri: "Podiam ter lançado o filme antes das eleições pra gente não votar nesse monte de vagabundo aí."
Diante das demonstrações de alegria pós-lançamento e do clima de celebração geral, a Naipe fica apenas com um pressentimento ruim: Tropa 2 não vai gerar bordões-sensação como o primeiro (quem não se lembra de "pede pra sair", "nunca serão", "o senhor é um fanfarrão" e "tu é moleque"?).
O maior potencial está em "Quer me foder me beija, porra". Vai pegar, não há dúvidas - na saída do cinema um adolescente já aproveitava uma oportunidade de soltar a frase para o amigo.
Agradecimentos: Cinesystem Shopping Iguatemi
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