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BEBERICANDO COM PRATA

BEBERICANDO COM PRATA


A partir do filme Quebrando o tabu, escritor nacional fala à Naipe sobre drogas e prós e contras marijuânicos



Da equipe Naipe
15/07/11


Um documentário sobre drogas ancorado por um novo Fernando Henrique Cardoso não poderia ter título melhor que Quebrando o tabu. Uma discussão sobre esse filme em Florianópolis não poderia ter melhor convidado que o escritor Mário Prata.

O filme segue em cartaz até a próxima quinta-feira, 21/07. Clique aqui para ver os horários. 

Quebrando o tabu tenta infiltrar a questão da maconha e de outras drogas no nosso ramerrame. Infelizmente, está em cartaz em apenas um cinema da ilha, o Paradigma Cine Arte.

O documentário ouve Jimmy Carter e Paulo Coelho, Garcia Bernal e Bill Clinton, Dráuzio Varella, viciados, presidiários, estudantes e todo tipo de gente comum ou personalidade com experiências de consumo ou trabalho ligadas ao universo das drogas. O filme é ágil (algo de Michael Moore, com menos sensacionalismo) e bem costurado. Quem acompanha mais o tema drogas aponta limitação em algumas argumentações. De qualquer maneira, a intenção maior parece ser convencer preconceituosos sobre a necessidade de debate - e o resultado, sob essa ótica, é muito bom.

"Se todo brasileiro desse um tapinha quando chegasse em casa, em vez de tomar um trago, esse país seria mais tranquilo, calmo, feliz", diz Prata à Naipe, em seguida sopesando a declaração e ressalvando: "Fora o mal que a maconha pode fazer de levar a outras drogas, e não sei como controlar isso, a maconha só faz bem, pô."

Prata e Naipe conversam em um bar de Jurerê tradicional, entre sanduíches, Heineken, Luigi Bosca e um incômodo voz e violão. As palavras do escritor e dos quatro integrantes Naipe quicam por três horas na mesa. Sobram digressões, surge todo tipo de assunto - mas Quebrando o tabu, ainda bem, não desaparece completamente da conversa. 

NAIPE: Você conhecia o Paulo Coelho [entrevistado no filme] na época?
PRATA: Entrei nos anos 60 com 14 anos e saí com 24. Assaltar um banco ou fumar maconha era o mesmo crime para os militares, [você] ia pro DOPS, era subversão, podia ser metralhado e morto. Minha geração virou muito maconheira por isso. Não teve ninguém que foi meio-termo, ou era a favor dos militares ou era contra. Metade fumava e metade não. Os que não fumavam eram esses que o Paulo falou [no documentário], que [hoje] fazem propaganda antidrogas e antifumo sem ter ideia do que seja, sem conhecer. Maconha era um droga de paz, era uma coisa careta. Meu filho fumou maconha em Londres. Eu e a mãe dele fumávamos em casa, nunca escondemos. Eu falava o seguinte: “Isso aqui é proibido porque os caras são uns idiotas. Não vicia, não faz mal à saúde, blábláblá". Eu jogava limpo.

NAIPE: E você fuma aqui em Florianópolis?
PRATA: Fico seis meses sem fumar, não é como antes. Nunca comprei aqui em Florianópolis, mas tô diminuindo tudo, tô ficando velho. E sempre achei outras drogas um perigo, falava isso pros meus filhos. Hoje não vejo sentido em assaltar um banco, por exemplo - eu participei indiretamente de um assalto [quando era mais novo]. Da mesma maneira, acho que a maconha era coisa daquela geração.

NAIPE: Terminou o filme gostando do FHC?
PRATA: Muito. Vou mandar um email pra ele falando sobre isso, não sabia que ele tava metido nisso. Sabia que ele tinha sido entrevistado. O filme é o conceito dele, fiquei muito impressionado pela dedicação. Ele fez algumas afirmações muito corajosas pra quem vive em cima do muro. Eu não vou dizer que ele tenha sido um usuário, e também não vem ao caso. Vem ao caso que ele é mais velho mas é da minha geração: passamos pelas mesmas agruras, lutas, personagens e tal. Ele diz no filme que não sabia da situação [das drogas, e mais especificamente da maconha] quando estava no governo. [Na verdade] ele sabia mas não tinha estudado a fundo como foi fazer agora. Então achei muito lúcido uma pessoa da minha geração, e o Dráuzio [Varella] também, protagonizarem um filme sobre maconha. Duas pessoas públicas. O filme é muito claro, mas se falou pouco sobre o papel político da maconha. O Paulo Coelho falou sobre isso, que se fumava como protesto. Me lembro que se fumava escondido em casa. [O documentário] podia ter focado mais nisso, a parte política. Foi na França, em Praga, EUA, pô. Todo o movimento hippie era de maconheiros e os caras mudaram o mundo! Posso garantir isso pra vocês. Imagina alguém hoje ser convocado para o Afeganistão e queimar a convocação na rua... Os caras faziam isso na época do Vietnã. Ficavam marginalizados, queimavam os documentos... Isso fez a guerra acabar.

A conversa se perde. Volta ao filme quando todos falam do estigma colocado em cima da maconha a partir do governo Nixon (1969-1974). O designer da Naipe Bruno Rinaldi lembra que a guerra contra a maconha já existia nos EUA desde o começo do século 20, pela forte concorrência com a indústria do algodão – porque podia ser usada como fibra para roupas etc.

NAIPE: Há cada vez mais ansiosos e ansiolíticos por aí. A maconha não serviria até como uma resposta a isso? 
PRATA: Se todo brasileiro desse um tapinha quando chegasse em casa, em vez de tomar um trago, esse país seria mais tranquilo, calmo, feliz. Fora o mal que a maconha pode fazer de levar a outras drogas, e não sei como controlar isso, a maconha só faz bem, pô. Digo que o filme dá uma excelente visão da relação de outros países com as drogas, até como problema de saúde pública, mas não dá argumentos sólidos para a legalização da maconha em si.

Bruno diz que o filme perdeu a oportunidade de se aprofundar no assunto. Cita que 46% da população da Califórnia votou pela legalização da maconha, quase a aprovando. E afirma que o estado passa por uma crise financeira, a partir do que todo o comércio ilegal de marijuana poderia ser taxado e gerar milhões ao estado. "Por isso muita gente votou [pela legalização]. É o grande argumento – cortar a grande fonte de grana dos traficantes e direcionar a renda para necessidades básicas, escolas, hospitais, centros de reabilitação. Concordamos que a punição não leva a nada. O filme mostra bem que é um problema de saúde pública muitas vezes, e essas pessoas deveriam ser tratadas", diz Bruno.

E a conversa descamba para internet, excesso de informação, fim ou renascimento do papel, comportamentos, homens que vão viver 150 anos, histórias incríveis de Mário Prata, vendagem pífia de ótimos livros nacionais e assim por diante, até que a madrugada se esfumaça - aquela, especificamente, no sentido figurado, não no literal. 

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Veja fotos da noite.



Comentários  

 
0 #7 Luisa 15-10-2011 10:15
Sr. Thiago Momm, cadê minha foto com o Prata?
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+1 #6 tianeura 08-09-2011 12:21
como tem babaca neste mundo... vizinho passar mal? apologia à droga? sem palavras.
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+1 #5 Juliana 02-08-2011 11:28
Tiganá.. é terra de falsos moralistas como vc! de gente mesquinha que AMA cuida da vida dos outros! terra de gente preconceituosa.. que se ACHA melhor que os outros....

CADA UM FAZ O SEU!! CADA UM NO SEU QUADRADO.

Oq é bom pra mim não pode ser pra você.. e cabe a vc respeitar isso!

RESPEITOO é isso que falta pro povo brasileiro...
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+1 #4 Guilherme Pedroso 26-07-2011 11:26
Lucia, aí cabe o bom senso. Se comunique com o vizinho e peça para que feche as janelas, que atrapalha a sua saúde (apesar de que a cannabis é prescrita para casos de enjoo em alguns países).. Se ele insistisse em fazer barulho ocasionando problemas no sono ou dores de cabeça na Sra. você não iria pedir para que ele parasse? Faça o mesmo com este problema. Quebre os tabus.

aos editores: Fiquei curioso quanto aos livros nacionais de baixa vendagem.
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+2 #3 Zé Martinelli 18-07-2011 12:30
Fui assistir e gostei muito. Vamos debater e acabar com a hipocrisia, que pelos comentários acima, ainda estão bem presentes..
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0 #2 Lucia 15-07-2011 20:05
o vizinho fuma maconha e eu que ja tenho arritimia e outros problemas de saude passo mal na minha casa. Isso é comum, os vizinhos sofrem com enjoo, tontura, e piora no quadro de arritimia. Mas claro que pra sociedade, o direito dos mais velhos, de viver não tem importancia.
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-11 #1 TIGANÁ 15-07-2011 12:56
MATÉRIA VOLTADA A APOLOGIA A DROGA! BRASIL, TERRA SEM LEI! TERRA DO TUDO PODE! TERRA DE BANDIDOS! VERGONHA MUNDIAL...
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