Na contramaré da popularidade ilhoa, moradores reclamam ampla e empolgadamente de Florianópolis

Da Equipe Naipe
01/08/11
“Qual o limite de linhas?”, pergunta a universitária à Naipe durante a entrevista por email. “Porque eu já respondi as perguntas, mas sempre tem mais material quando o assunto é falar mal de Florianópolis.”
Sim. A Florianópolis elogiada pelo New York Times, adulada pelos guias turísticos, sacralizada pela mídia em geral não é, como fazem crer, uma grande ciranda de moradores cantando de mãos dadas o Rancho de Amor à Ilha – ou pescando a própria tainha no final de tarde, como descreveu a Veja em matéria mais elogiosa que a canção de Zininho.
Por que se ouve tão pouco os descontentes? E os jovens, eles gostam de viver aqui?
A Naipe não encontrou pesquisas que questionem isso, mas, para tentar conhecer melhor a opinião de quem não compra a ideia de Floripa-paradise, lançou uma enquete online: “Você gosta de viver em Florianópolis?”. Ao final, 170 pessoas responderam as três perguntas. Os resultados:
"Você gosta de morar em Florianópolis?"
Por que se ouve tão pouco os descontentes? E os jovens, eles gostam de viver aqui?
A Naipe não encontrou pesquisas que questionem isso, mas, para tentar conhecer melhor a opinião de quem não compra a ideia de Floripa-paradise, lançou uma enquete online: “Você gosta de viver em Florianópolis?”. Ao final, 170 pessoas responderam as três perguntas. Os resultados:
"Você gosta de morar em Florianópolis?"
- Razoavelmente, sei dos problemas da cidade mas não deixaria de viver aqui: 63%
- Não gosto. Quero ir morar em outra cidade: 21%
- Sim, muito. Jamais me mudaria daqui: 13%
- Odeio. Só moro aqui porque sou obrigado: 3%
"Caso não esteja satisfeito, qual seu principal motivo?"
- Infraestrutura: 32%
- Falta de opções de lazer/culturais: 20%
- Provincianismo: 14%
- Mercado de trabalho limitado: 14%
- Outros: 20%
- Sim: 78%
- Não: 22%
Aglomerado de praias
A estudante da Udesc Julie Maillard é do time do “odeio”. Ela não vê a hora de se formar e ir embora: “O problema é que tenho dificuldade de ver Florianópolis como uma cidade. Isso aqui é um aglomerado de praias com um centrinho ‘urbano’ diminuto e que oferece opções na mesma medida em que investe no transporte público – cada vez menos”.
A sua principal crítica é em relação à falta de diversidade: “E antes que comecem com histórias sobre a natureza, praias, Mata Atlântica, Rendeiras e seja lá o que mais, falemos de diversidade cultural, musical, de entretenimento e de públicos. As pessoas esquecem que nem todo mundo que mora aqui é surfista, gosta de praia ou ouve reggae”, destila, e se empolga:
"Sem contar que a impressão que se tem é que a ilha foi enclausurada numa bolha do tempo. Tudo demora uma eternidade pra chegar aqui e mais tempo ainda pra finalmente ir embora. Isso se aplica a filmes, shows, lojas, modismos e qualquer tipo de informação, que parece encontrar na ponte Hercílio Luz uma barreira intransponível."
A sua principal crítica é em relação à falta de diversidade: “E antes que comecem com histórias sobre a natureza, praias, Mata Atlântica, Rendeiras e seja lá o que mais, falemos de diversidade cultural, musical, de entretenimento e de públicos. As pessoas esquecem que nem todo mundo que mora aqui é surfista, gosta de praia ou ouve reggae”, destila, e se empolga:
"Sem contar que a impressão que se tem é que a ilha foi enclausurada numa bolha do tempo. Tudo demora uma eternidade pra chegar aqui e mais tempo ainda pra finalmente ir embora. Isso se aplica a filmes, shows, lojas, modismos e qualquer tipo de informação, que parece encontrar na ponte Hercílio Luz uma barreira intransponível."
Não, não é um caso isolado e nem exclusivo de quem veio de fora.
O manezinho estudante de Arquitetura da UFSC Augusto Ramos também acredita que Florianópolis é um deserto cultural, mas o que mais lhe incomoda é a falta de organização. “Aqui nada funciona. O transporte é um lixo, o asfalto é um nojo e o que tem de lazer, além de ser ruim, é caro”. Augusto também se irrita com a mentalidade de moradores que propagam a campanha fora-haole: “É um pensamento mesquinho, como se o nativo fosse melhor do que os outros. Eu sou daqui e sempre fui muito bem recebido em outros lugares”.
Ele pretende se mudar para Curitiba, Porto Alegre ou São Paulo assim que puder: “Sem dúvida aqui é melhor pra passar férias do que pra morar”.
Não pode falar mal
A estudante de moda Tchéri Netto, que morou a vida toda na ilha, costuma receber muitas críticas à sua opinião negativa sobre Floripa. “Acho que as pessoas aqui têm mentalidade muito pequena. O mundo evolui, as pessoas evoluem, mas parece que a ilha fica estagnada naquele comportamento de cidade de interior.”
“Em São Paulo ninguém fica ofendido com quem fala mal da cidade, não tem esse orgulho todo”, avalia o jornalista Luiz Augusto Fakri. Paulistano, ele veio todo faceiro estudar na UFSC em 2001, animado com a possibilidade de viver o sonho do eu-moro-onde-você-passa-férias. Mas desencantou. Percebeu que pegava o mesmo trânsito que em São Paulo, passou a ouvir comentários sobre “roubar vaga dos outros na universidade” e se deu conta de que preferia cidades maiores.
Assim que se formou, ele voltou para a capital paulista: “Gosto de Florianópolis, mas não voltaria a morar aí porque sou mais urbano. Floripa não é pequena de população, mas tem uma mentalidade de cidade pequena. Não é que eu não goste das pessoas, tenho muitos amigos aí. Só acho a mentalidade imatura pro que a cidade é.”
“Em São Paulo ninguém fica ofendido com quem fala mal da cidade, não tem esse orgulho todo”, avalia o jornalista Luiz Augusto Fakri. Paulistano, ele veio todo faceiro estudar na UFSC em 2001, animado com a possibilidade de viver o sonho do eu-moro-onde-você-passa-férias. Mas desencantou. Percebeu que pegava o mesmo trânsito que em São Paulo, passou a ouvir comentários sobre “roubar vaga dos outros na universidade” e se deu conta de que preferia cidades maiores.
Assim que se formou, ele voltou para a capital paulista: “Gosto de Florianópolis, mas não voltaria a morar aí porque sou mais urbano. Floripa não é pequena de população, mas tem uma mentalidade de cidade pequena. Não é que eu não goste das pessoas, tenho muitos amigos aí. Só acho a mentalidade imatura pro que a cidade é.”
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Comentários
Mas quando vc. mora,a história é outra,não tem trabalho,péssim o salário,os manezinhos fazem panelinha e são xenófobos,por medo mesmo de perder lugar.
Morar em Florianópolis só com dinheiro.Os habitantes não têm interesse em desenvolver a cidade com medo que se transforme em outras capitais do Brasil,com muitos problemas.É um desafio,deverá se exigir um desenvolvimento sustentável,e se a natureza não for respeitada,será o fim da cidade.
Esta história de fora-haole é só pro povinho universitário da UFSC, nem em regiões como Tapera e Ribeirão o pessoal sabe desta história.
Pouca cultura? Como vocês querem mais cultura se estamos falando de Brasil, onde a cultura é não ter cultura? Eita racinha que pede pra Florianópolis ser a Dinamarca nas américas.
Florianópolis não é só uma Ilha. Começaram bem em colocar a parte continental, mas em nenhum momento na matéria ficou claro que Florianópolis vai além desta ilha.
Mané? Os cariocas aprenderam com Bezerra que 'malandro é malandro e mané é mané'. Por favor! Tratem com respeito quem é florianopolitan o.
Os insatisfeitos que se mudem. Vai melhorar o trânsito.
O sotaque local é realmente muito feio.
Cntribuição para o país : Lazer para os de outros estados.
Manezinho no meu tempo era pejorativo, agora dá "status"...
Sim, é Praia das Palmeiras, está lá na placa da entrada :)
Mas "Palmeirinhas" é pra manezinho que já morou por lá. Nos demos a liberdade por isso.
Abraços.
Sendo o tema abordado sobre a própria cidade, deveria começar escrevendo corretamente o nome do local. Perdeu toda a credibilidade..
Pra mim isso tudo que dizem de mal da ilha é pura inveja, me desculpe mais nenhuma cidade do País tem praias melhores que as nossas, e nem mulheres mais bonitas
Para os que não gostam de Floripa, VÃO EMBORA, e nunca mais voltem, essa cidade não precisa de gente que vem estragar a nossa cidade e ainda se acham no direito de falar mal
E nem venham com esse papinho de "sem turista, Florianópolis não é nada", porque a Ilha só piorou com a ocupação desordenada, violência, pobreza, trânsito caótico entre outros problemas que não existiam antes da chegada da turistada
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