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A PREGUIÇA É UMA COISA FEIA

A PREGUIÇA É UMA COISA FEIA


É inexplicável que muita gente cisme em ter sempre o mesmo final de semana




Por Thiago Momm


No morro ao final do costão esquerdo de Estaleirinho (foto acima), o motorista tem a vista completa da praia: as curvas escuras das ondas recuadas na areia, alguns metros de espuma bem branca, o começo de água verde menta, uma breve faixa verde marinha, do fundo em diante azul aço. 

Difícil dizer qual a mais incrível: Estaleirinho, em Balneário Camboriú, ou Praia da Tainha (foto abaixo), em Bombinhas.

Na Tainha, faixa de areia bem menor (266 passos de um lado ao outro, contei), pedras enfeitam o costão direito, árvores proporcionam sombras gigantes e a água passa logo do verde marinho, no raso, ao azul rangedeira. Sem sacanagem. Rangedeira é um marreco da Europa, Ásia e África com uma faixa azul na altura dos olhos - e em uma paleta com 38 tipos de azul (sim, azul, não verde), é esse o que melhor representa o mar da Tainha.

Enfim. Todo esse detalhismo só para dizer que a preguiça é uma coisa feia.

Já perdi a conta de quantas pessoas levei até Estaleirinho. Ou em outros lugares para fazer trilhas, conhecer um novo bar incrível e assim por diante. As reações são praticamente iguais. Os caroneiros se perguntam que diabos vinham fazendo da vida que não estavam passeando mais.

E eu me pergunto como um dia também fui da espécie predominante, a dos poucos curiosos. Fiz 18 anos, ganhei carro e tanque cheio. Havia lugares que habitavam minha imaginação, mas eu dificilmente ia até eles. Não sei explicar muito bem o motivo. Você apenas não vai. Faz sempre a mesma coisa. Repete roteiros. Os lugares desconhecidos parecem programas arriscados, que podem comprometer aquele precioso sábado livre - e quebrar aquele seguro mundo em que você vive. 

O Interpraias eu mal sabia o que era. Lá pra baixo no litoral, Ferrugem, Silveira e Garopaba eram nomes que se confundiam - uma série de praias em que se surfa, minimizava eu. Na ilha, meu carro simplesmente não passava de certo ponto ao sul, como se dirigir até o final da Rodovia Baldicero, no Ribeirão, fosse uma travessia entre continentes.



Goiaba

Muita da falta de curiosidade sobre atrativos naturais talvez viesse do meu perfil baladeiro. Quem é ou foi alguém muito da esbórnia sabe: tudo se resume em estar onde está todo mundo, a ficar bêbado, a trocar fluidos e telefones com o sexo oposto, a rir com os amigos. Sem problema que seja assim. A vida não é tão curta quanto dizem e, dos 20 e tantos ou 30 em diante, você terá tempo de sobra para explorar prazeres quase intocados.

É quando você esquece um pouco os dogões e tenta aprender a cozinhar; para de escutar sempre a mesma música de rádio, cria playlists mais personalizados; para de fotografar com pressa e descobre o tesão de buscar boas imagens; quando, finalmente, você se dá conta de que muitos lugares inéditos estão simplesmente ali, à espera dos espertos que não querem repetir para sempre o mesmo final de semana.

As praias de Estaleirinho e da Tainha nem são exemplos de coisas escondidas. São lugares facilmente acessíveis e até evidentes. A Tainha é um pouco mais esquecida, mas Estaleirinho tem paradores e vive cheia nos finais de semana. Só que pelo pessoal local e de outros estados. Não são tantas assim as pessoas de Florianópolis que conhecem a praia.

Devo a um grande amigo, Marcelo Depizzolatti (aliás fotógrafo e a essas horas lá pela Tailândia), a cisma de cartografar pessoalmente o litoral de Santa Catarina. Goiaba de apartamento que eu era, nem a Lagoinha do Leste teria conhecido, aos 20, não fosse a inquietude da galera mais próxima como ele.  

Então comecei a viajar, me tornei repórter de turismo e nunca mais sosseguei. De ceviche a bode, rafting a bungee jump, gruta a cruzeiro, mato a museu, boteco capenga a balada pretensiosa, botei os sentidos para experimentar.

E foi com esse espírito que a Naipe fez o seu guia de verão 2012. Entre tantos cantos a repórter Bárbara Dias Lino foi parar na cachoeira da Gurita, após caminhada de duas horas pela Lagoa do Peri. O repórter Fabrício Finardi, GPS gastronômico da Naipe, foi até a remota Ponta do Rapa, no ponto extremo norte de Florianópolis. A repórter Iana Lua, que já registrava a ilha em blog fotográfico, fuçou especialmente no centro, leste e norte de Florianópolis.

O resultado dos nossos 50 dias insanos e insones de apuração está na gráfica e chega na semana que vem. Mais informações sobre o Guia Naipe de Verão 2012 aqui neste site ainda esta semana.

Comentários  

 
0 #1 Marcus 05-01-2012 07:12
Em primeiro lugar.... Parabéns pelas reportagens e fotos.
Como queria trabalhar assim... passear e bater foto....
que inveja!!
Mas.... enfim.... PARABÉNS....
Vou ver se consigo um exemplar do guia Naipe2012.
abraços
Marcus
Fpolis
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GUIA NAIPE DE VERÃO 2012

Confira o guia ou faça o download clicando aqui.

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