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O CENTRO É INDIE

O CENTRO É INDIE


Com inferninhos se tornando noites regulares, região central da ilha reforça pegada alternativa 

 



Da equipe Naipe, com fotos de André Lauz 


Sim, a noite mais conhecida pelos turistas na região central de Florianópolis continua sendo o El Divino. Mas, de resto, em termos de balada a área é esmagadoramente indie. A tendência maior vem sendo a de inferninhos se tornarem casas regulares. Graceja-se que o fenômeno se deve ao atrevimento sexual das civis, que teria diminuído a procura pelas profissionais dos lupanares. Para ter filas na porta da casa, a regra é mudar um quase nada a decoração e o cardápio, concentrando os esforços mais na criatividade temática das festas e na atração sonora da madrugada.


 

O mais conhecido dos ex-bordéis, o 1007 Boite Chik (Al. Adolfo Konder, 1007, Centro; 3024 4667; sex. e sáb.; em geral, R$ 15 antes da 0h, R$ 25 após) surgiu em 2009 com clima alternativo, paredes negras e neon rosa no bar. Como em toda casa noturna, o sucesso criou uma clientela fixa idólatra e uma dissidência desdenhosa – que protesta que o lugar se “eldivinizou”. Pontos fortes: muitas promoções de bebida em dobro, ótima vibe. Porém: em algumas noites, a criatividade do set-list é bem menor que a dos sempre inventivos cartazes. A casa passa por reforma mas vem promovendo as mesmas festas da matriz no 1007 Beach Chik, em Balneário Camboriú. Leia aqui matéria sobre o novo espaço. 

O mais recente a arriscar a transformação de conventilho em noite regular foi o Barbarella Lounge Bar (R. Saldanha Marinho, 359, Centro; 3207 5666), um simpático e compacto espaço de dois andares com estofamentos vermelhos e fotos preto e brancas (geralmente de dominatrix), além do inconfundível DJ tocando de dentro de uma gaiola. A novinha aborda a reportagem: “Eu namoro. Vamos meter um romance fora da balada?”. Um diferencial da casa é a possibilidade de deixar a identidade com o segurança e sair para tomar um ar na movimentada calçada. 

O caso do Night Café & Dance (R. Major José Augusto de Faria, 20, Centro; 3333 2020; seg. a sáb., das 4h às 9h; sex. e sáb., a partir das 23h) é mais específico. O lugar joga anzóis tanto para indies como para insones. Esses frequentam a “Balada das Baladas”, uma noite que começa às 4h da madrugada e vai até mais ou menos o começo da Ana Maria Braga. O dia mais movimentado dessa festa é sexta, quando até 40 notívagos (meretrizes de folga, inclusive) aparecem por lá. Homens a R$ 30, mulheres sempre de graça. Para os alternativos, nas sextas e sábados a casa começou a oferecer festas com rock ao vivo – e já conseguiu 350 pessoas com isso. O preço dos ingressos fica na faixa de R$ 15. 

Blues Velvet (R. Pedro Ivo, 147, Centro; 3225 4111; ter. a sáb, das 22h30 às 3h30) não foi um, mas três prostíbulos em diferentes épocas. Hoje, faz parte da cultura alternativa da cidade. Conforme a noite, a capacidade para 80 pessoas esgota-se rapidamente e a pista ferve com festas movidas a disco music (Go-go), sons dos anos 1950 a 1980 (Vertigo) ou música brasileira (Salão). No cardápio, a novidade é o drinque Orgasmo (R$ 9), feito com licor de café, Jack Daniels e uma “gozadinha” de Amarula, mas a Heineken 600 ml (R$ 8) continua sendo a opção mais pedida. 



Já o Talyesin (R. Fernando Machado, 36, Centro; 9616 6372; ter. a sáb., das 21h às 2h) fez diferente. Dizem que, em priscas eras, o local abrigava o manicômio judiciário do estado, onde quem entrava jamais saía. Lenda ou não, desde 2007 são outros tipos de perturbados que sobem a escada que dá acesso ao bar, batizado em alusão ao disco The Book of Taliesyn, do Deep Purple. Roqueiros e/ou indies vão em busca de música ao vivo, a cargo de uma banda diferente por dia. Os espíritos inquietos podem ser amansados com cerveja Serramalte (R$ 7, 600 ml) e amendoim (R$ 1,50, 50 g). Para os mais ansiosos, a casa dispõe rapé na faixa.

Sem nenhum passado diferente no currículo, o Jivago Lounge (R. Dep. Leoberto Leal, 4, Centro; 3028 0788; qui. a sáb., das 23h às 4h) vai deixando de ser rotulado como balada gay. O público gay segue à vontade por lá, mas héteros de todas as cores também já se renderam às noites regadas a 18 tipos de vodca e sons sempre se renovando. Com exceção das sextas, quando rola o Upper Club (house), a programação só se repete a cada mês, com festas dedicadas a indie rock (Last Nite), batidões tropicais (Boladona Rock) ou electro e pop (Plastique). 

Mix Café (R. Menino Deus, 47, Centro; 3324 0102; principalmente sex. e dom., a partir das 23h; no geral, ingressos entre R$ 15 e R$ 20), pelo contrário, segue firmemente gay, com chamarizes como “no escuro tudo pode acontecer” e performances e perversões no palco. Homens são a maioria, e a casa, uma opção tradicional e menos pretensiosa, é uma comprida caixa de dois andares com muito grave. Nas sextas, a festa é sempre eletrônica. 

Fechando o pacote indie, o Célula Showcase (Rod. João Paulo, 75, João Paulo; em geral, R$ 15 antes da 0h, R$ 25 após) viveu bons tempos com o ex-MTV Gastão Moreira e tem novo momento efervescente após reabertura em 2011 (agora, passa por nova reforma e reabre em março). É a casa ilhoa com maior preocupação musical – além de reunir bandas locais de qualidade, traz de nomes da cena indie paulistana a violinistas. Até novembro, as sextas e os sábados tendiam a ter grandes filas na porta. Ocasionalmente, o Célula abre outros dias.

Comentários  

 
0 #3 Guerreiro 09-01-2012 18:54
Ainda bem... mulheres guerreiras, bonitas e inteligentes...

deixem a fachada para jurerê...

Graças a Deus... Floripa agradece
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+1 #2 Marcio 09-01-2012 15:47
Legal saber que essas lugares 'renasceram'... aliás, 'não morreram'. Reciclar é preciso, mas sem perder a essência jamais... parabéns à eles (por não se renderem aos playboys endinheirados) e a revista Naipe (pela ótima matéria).
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+1 #1 Luiz 09-01-2012 15:36
Até que enfim algo assim na ilha.
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